Dear Cupid, next time hit both.









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sexta-feira, 29 de julho de 2011

Boy, we made such a mess together.


Não queria escrever para ti. Eras teimoso e chato e querias estar sempre a espetar-me beijos nas bochechas. Eras meticuloso e voltavas sempre atrás para verificar se a porta do carro estava fechada, e confirmavas duas ou três vezes - essa tua POC irritava-me tanto. Quando arrumavas alguma coisa, fazia-lo milimetricamente. Tenho saudades de gozar-te por causa disso. Quando dormíamos juntos, via-se perfeitamente qual era o meu lado da cama; quando íamos acampar, via-se perfeitamente qual era o meu lado da tenda. Era aquele que tinha roupa espalhada por todo o lado, e o teu era o que tinha só uma camisola perfeitamente dobrada em cima da mochila. Mas depois saltavas de penhascos, saltavas de cabeça e sem pensar duas vezes, e por isso eu sabia que não eras aborrecido. Cantavas mal. Meu deus, cantavas tão mal, tinhas tão pouco sentido para a música que até as tuas palmas eram fora do ritmo. Tinhas vergonha das coisas mais idiotas, como entrar numa loja só para ver coisas quando não ias comprar nada, mas eras a pessoa mais sociável que eu conhecia. Era tão fácil gostar de ti, com o teu sorriso fácil, os teus traços perfeitos, a tua simpatia e o teu bom coração. Quando eu chorava por causa de um animal no meio da estrada, tu limpavas-me as lágrimas e dizias "tu tens um coração tão grande..." e, nessas alturas, eras a melhor pessoa do Mundo para mim - ainda que eu soubesse que não eras. Achava uma mariquice pegada que um homem feito não tivesse qualquer problema em abraçar a mãe só porque sim e em enchê-la de beijos - mas, secretamente, achava isso o máximo. Também achava uma lamechice que tivesses a minha foto no fundo do teu telemóvel e a nossa música como tom de toque, mas sorria sempre que a ouvia. Ainda a tens. Dois anos depois, ainda a tens. Dois anos depois, ainda me atendes o telemóvel a dizer "Wow, isto foi estranho! Tinha acabado de marcar o teu número e carregar no verde para te ligar...". Não queria escrever para ti. Não queria, porque isso é dar-te esta importância toda, e porque eu não gostava daquelas coisas todas. Mas eu tenho tantas saudades delas.

quinta-feira, 30 de junho de 2011

I try to walk away and I stumble...


Estás a ver o planisfério de que falávamos na escola? Já o percorri a dedo, já desenhei caminhos novos. Já o fiz sozinha e acompanhada. Já tentei passo a passo e já tentei adiantar quilómetros. Já tracei até mapas estelares, e nada. Volto sempre ao caminho que me leva a ti. E não há nada a fazer, sabes? O meu coração não me pertence desde que o deixei nas tuas mãos. E tu levaste-o contigo. Tenho vontade de pedir-te que ao menos tenhas cuidado, que ao menos não o deixes cair, que ao menos tomes conta dele. Que ao menos te lembres que ele continua a bater por ti, e que a cada passo que dás fora do que era o nosso caminho, ele parte-se mais um bocadinho. Tem cuidado, ao menos tem cuidado.

terça-feira, 21 de junho de 2011

I try to say goodbye and I choke.


Estou sempre a ser empurrada para ti. Eu juro que queria deixar de percorrer o caminho que me leva de volta a ti uma e outra vez, mas o meu coração parece não conhecer outro. Por muito que eu tente, por muito que trace novos caminhos, por muito que percorra mapas deste mundo e de outro qualquer, no fundo eu não me afasto um milímetro da estrada que íamos percorrer os dois. Não é que eu viva no passado, eu vivo é num futuro em que tu estás, como era suposto. E num presente em que tu não me deixas escapar. Porque o teu sorriso está sempre lá, os teus olhos estão sempre prontos a encontrar os meus, e a tua vida está sempre a entrelaçar-se na minha, como as nossas mãos costumavam fazer. Não é suposto estares comigo, mas estás, estás sempre e por toda a parte. Sabes? Eu acho que não, mas gostava que soubesses que ainda te ouço a desejares-me boa noite sempre que encosto a cabeça na almofada e me preparo para mais uma noite sem sonhos contigo.

domingo, 5 de junho de 2011

If I had you here, I'd clip your wings.


Voltar atrás e fazer com que nunca tivesses partido. Com que nunca me tivesses partido. Por vezes era tudo o que eu queria. Voltar àquela tarde de Agosto e (pres)sentir de novo o teu beijo, o primeiro beijo, com a certeza de que não haveria o último. Fazer de novo todas as promessas que te fiz, porque agora eu não iria quebrá-las. Jurar-te o meu amor por ter a certeza que ele nunca seria de mais ninguém. Voltar atrás e fazer com que houvessem finais felizes. As nossas mãos iam ser dadas até ao pôr-do-sol e tu ias estar em todos os meus dias.. nas minhas noites também. Não haver outra pessoa no meio dos teus braços - como poderia haver, se eles estavam destinados a só me abraçarem a mim? Às vezes acho que brincámos com o destino e que, por isso, ele ainda não nos deixou ficarmos longe o suficiente. Era suposto estarmos juntos, e por isso ele ainda te mete no meu caminho tantas vezes, ainda tropeço em nós de vez em quando, ainda há coincidências que não deixam que tu saias de mim. Deve estar à espera que finalmente consigamos perceber que não era suposto haver esta distância entre nós. Eu voltava atrás e enganava o destino. Quando ele esperasse que eu corresse para longe, eu pegava na tua mão e jurava-te para sempre. E jurava mesmo, porque desta vez eu ia cumprir e tu só poderias ser feliz comigo.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

I will let you forget me, if you stay in my past

Mais palavras não são necessárias.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

I know someday you'll have a beautiful life


Percebi a forma como o meu coração, pequenino e confortável, batia contra o meu peito. Percebi que se achava em casa outra vez, que achava que, finalmente, tinha tudo acabado e voltado ao normal. Senti-me um pouco mal por enganá-lo. A ele, passava despercebida a ausência de pormenores como a moldura com a nossa fotografia em cima da mesa de cabeceira, ou como a minha certeza de que de manhã, e no dia seguinte, e no outro, tu ainda estarias ali, e eu não quereria ir a lado nenhum. Então, eu fechei os olhos com muita força, e deixei o meu coração acreditar. Fechei os olhos com muita força, e comecei a decorar-te. Como se fosse preciso – como se eu alguma vez te tivesse esquecido. Mas achei que mais tarde, quando já não estivesses ali, podia fazer crer ao meu coração que ainda estavas. Decorei o peso exacto do teu braço em cima da minha cintura, o ritmo calmo e certo com que o teu peito aumentava ou diminuía a pressão contra as minhas costas à medida que inspirava ou expelia o ar. Decorei o contraste da temperatura da tua pele contra a minha, a pressão quase nula com que as pontas dos teus dedos roçavam a pele da minha barriga e o modo certo como as nossas pernas se entrelaçavam. Fiz crer ao meu coração que um dia, um dia talvez pudéssemos ficar assim para sempre. Abri os olhos e notei que a nossa fotografia continuava a não estar na mesa de cabeceira. Então, sem saber como, consegui desprender-me do teu abraço morno sem te acordar. Levantei-me em silêncio, vesti-me, decorei uma vez mais a primavera no teu rosto que dormia. Uma última vez, amei o contorno perfeito dos teus lábios, peguei nas minhas coisas e no meu coração, e saí.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Life rolls on


Não sei por que te escrevo desta vez. Acho que queria que soubesses que está tudo bem. Que isto é a minha vida sem ti, e está tudo bem. Aprendi a colorir os dias com outras cores que não as dos teus olhos, e a dar-lhes luz sem a do teu sorriso. Aprendi a ver outros sorrisos, a pensar noutros rostos, a sonhar acordada com outros olhares. Há dias em que ainda tropeço, e outros mesmo em que caio numa qualquer recordação nossa das que ainda tenho espalhadas pela vida, mas aprendi a levantar-me e a continuar a andar. Aprendi a rir de piadas que não as tuas, e a guardar momentos que não os nossos. Talvez fosse a altura certa para dizer-te adeus - mas alguma vez haverá uma altura certa para dizer adeus ao amor da nossa vida? Por isso, escrevo-te só para dizer que ainda penso em ti, todos os dias, e, nalgumas noites, ainda fecho os olhos e desejo-te bons sonhos, mesmo sabendo que não é comigo que vais sonhar. Muitas pessoas não percebem, sabias? Eu diria mesmo que ninguém nos percebe. E eu não os culpo. Afinal, quantas pessoas podem dizer que viveram o que nós vivemos? Fomos nós que decorámos pôres-do-sol, que embalámos promessas até adormecermos, que tivemos a certeza de que "para sempre" era só um começo. Fomos nós que estivemos lá sempre que as nossas mãos se davam e o Mundo voltava à sua ordem natural, porque estávamos juntos. E, sem ti, as coisas sempre fugiram um pouco da sua ordem. Bom, agora fogem muito. Agora eu apaixono-me por pessoas erradas, em alturas erradas, sorrio quando só me apetecia chorar e choro quando tenho razões para sorrir. Nunca sei bem o que quero e raramente quero mesmo aquilo que tenho. Agora eu saio, chego tarde, viajo, e nunca tenho ninguém a quem dizer "Já cheguei". Mas está tudo bem, e era só isso que eu queria que soubesses. Isto é a minha vida sem ti. E está tudo bem.

terça-feira, 26 de abril de 2011

What if I spoke those words today?


Sinto a tua falta. Passaram-se dias, meses, mais de um ano, e eu ainda sinto a tua falta. E eles dizem que passa. Que sim, que passa sempre. Mas eles não sabem de nada, amor. Não sabem do encaixe perfeito da minha mão na tua nem de como as horas corriam quando estávamos juntos. Não sabem do conforto que éramos nem da paz no teu rosto. Não sabem da luz que tinham os teus olhos, nem de como nunca mais encontrei essa luz em ninguém e, desde então, vivo na sombra. Não sabem da mágoa no teu rosto de primavera quando te deixei, nem da que causámos um ao outro desde aí. Não, eles não sabem de nada, amor. Nem da tua voz no meu ouvido a dizer-me baixinho as coisas com que agora nem sonho, porque acordar seria doloroso demais. Eles não sabem como é viver todos os dias contigo no coração e com a (in)certeza de que se calhar, só se calhar, eu podia ter tentado um bocadinho mais. Eles não sabem de nada, mas eu sei que o teu sorriso não me passa, e nem a saudade - nunca.

segunda-feira, 21 de março de 2011

Em mim, tu vives onde mora a saudade


Às vezes adorava estar na tua cabeça. Só isso, estar na tua cabeça e saber o que pensas de nós. Porque eu, às vezes, ainda penso o Mundo inteiro de nós. Éramos diferentes demais, somo-lo cada vez mais. Mas até que ponto essas diferenças não seriam contornáveis? Até que ponto importaria mesmo a música que tu ouves ou os livros que eu leio, até que ponto não conseguiríamos, os dois, juntos, trabalhar no sentido de amenizar essas diferenças e o efeito que tinham em nós? É que eu ainda sinto a tua falta. Ainda me pergunto "e se...?", ainda penso que talvez, só talvez, eu devesse ter escutado o coração. Que talvez ainda pudesse fazê-lo quando ele me diz que eu devia pedir-te só para mim outra vez, que eu, contigo, era melhor e que nós os dois, juntos, tínhamos uma completude que nunca mais consegui encontrar em ninguém.
Só que, outras vezes, cansas-me. Não tu, mas aquilo que ainda é a tua presença na minha vida. Porque, no fundo, estás sempre presente. Estou sempre a tropeçar em ti, a procurar desviar-me diligentemente de ti, a contornar os momentos em que nos cruzamos como quem contorna as pedras que lhe surgem no caminho. É que eu acho que o devo a mim própria. Acho que devo a mim própria experimentar e viver tudo o que puder agora, porque conheço o suficiente da natureza humana para saber que, se não o fizer, vou arrepender-me. Acredito que há momentos para tudo, e que este não é o momento para estar contigo. Mas, por vezes, aquilo a que as pessoas chamam destino e a que eu chamo coincidências dá cabo de mim. Fazes ideia da quantidade de vezes em que estou a pensar em ti e, nesse preciso momento, o telefone toca e és tu? Mas estar contigo não é compatível com os meus sonhos, é tão "simples" quanto isso. E eu não sei até que ponto ter uma pessoa como tu não é um dos meus sonhos, mas prefiro agarrar-me àqueles sonhos que dependem de mim, e não da complexidade emocional de duas pessoas como nós. E é isto.

quinta-feira, 10 de março de 2011

Yesterday, and days before


Sim, ainda preciso de ti. Quando estás longe, mais longe do que é costume, a tua ausência é sentida como nenhuma outra. Sinto-te a falta de maneiras que não sei explicar, porque não se explica a falta que nos fazem pessoas que não são só um amigo nem só um antigo amor. Tu não és "só" de nada - és tudo. És horas de conversa ao telemóvel só porque estás aborrecido pelo trânsito de Lisboa ou porque o meu comboio nunca mais chega, ou horas de silêncio das quais saio com a sensação de que te disse tudo. És gargalhadas até a barriga doer e as forças faltarem de tanto rir, ou as minhas lágrimas no espaço entre o teu ombro e o teu pescoço, aquele sítio familiar onde o meu rosto se encaixa tão bem. És todas as coisas pequenas que eu adoro e todas as que eu odeio, porque me sabes de cor como ninguém. És a nossa cumplicidade, as coisas que me arrancas da alma quase sem precisares de tentar, és as minhas coisas preferidas todas juntas porque mais ninguém as conhece como tu. És o cheiro da tua pele que não consigo esquecer, porque ainda me enebria os sentidos quando roço o nariz no teu pescoço durante um abraço e me obriga a fechar os olhos e inspirar. És os teus braços apertados à minha volta com o conforto que o meu corpo sempre soube de cor. És a parvoíce das brincadeiras que mais ninguém percebe, das cavalitas, das cócegas nos joelhos e dos apertões no nariz. És as minhas saudades todas juntas, porque eu nunca tive saudades de nada como tenho de nós.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

I remember everything.


E eu lembro-me sempre de demasiado. De demasiados amanheceres, demasiados fins de tarde em esplanadas junto ao mar, demasiados natais, demasiados acordares ao teu lado, demasiados "amo-te muito mais do que ontem e muito, muito menos do que amanhã", demasiados beijos, demasiados olhares, demasiados dos teus abraços cujo conforto o meu corpo nunca encontrou noutros. Demasiado de tudo, de tudo, para que eu possa sossegar a tua ausência no meu coração.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Ouvi dizer que o nosso amor acabou.


É em momentos como este que eu sei. Que a tua luz ainda habita em mim, que a tua alma ainda tem parte da minha. É em momentos como este que eu sei, quando encontro coisas como um post-it com tinta de caneta a marcar, numa caligrafia pequena e tremida, juras de amor eterno. Por mim. Do teu amor eterno por mim. É em momentos como este que eu sei, quando o ar pára de me passar na garganta porque os meus músculos involuntariamente pararam de funcionar, ou quando o meu estômago se contrai de tal forma que me obriga a dobrar-me sobre mim própria como se tivesse sido atingida. Tudo porque os meus olhos caíram, sem querer, sobre as tuas palavras gravadas num pedaço de papel antigo. Só são precisos segundos para o meu cérebro te ir buscar ao lado direito, aquele que tento não usar quando penso em ti. E vejo-me ali, naquele dia, a chegar a casa e a deparar-me com o armário cheio de post-its coloridos com as tuas palavras. "Amo-te muito", escrito por todo o lado. Amo-te muito. Amo-te... muito, ainda. É em momentos como este que eu sei.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

You got to lose to know how to win


Contra todas as (minhas) expectativas, parece que aconteceu. Aprendi a viver sem ti. E não, não estou a dizer que eles tinham razão. Eles diziam que ia passar, e não passou. Não passa. O meu amor por ti não passa, nunca. Nem quando há alguém que me desassossega o peito, que me invade o pensamento e me acelera o coração - ele continua a ter o teu nome. Continuas a ser tu, sempre foste tu. Aquele que me raptou a alma e não a devolve, mesmo depois de a ter deixado partida, e o único que ficou nela de todos os que eu amei. Eu aprendi a viver sem ti, sem o amor da minha vida, sem aquele que fazia o meu mundo girar. E é (quase) tudo igual. Percebi que o ar não me falta sem ti, ele continua a entrar e a sair dos meus pulmões, ainda que seja diferente, mais pesado - o ar é sempre mais pesado onde tu não estás. Percebi que tu nunca, nunca vais ser só mais uma pessoa - vais ser sempre aquela pessoa, a minha pessoa, aquela com quem eu devia estar mas com quem algo falhou - e até hoje eu não sei bem o quê. Percebi que vou ter sempre saudades tuas, que vou sempre pensar em ti, e desisti de tentar que isso não aconteça. Percebi que ninguém tem de ser como tu para me cativar. E que posso ser (sou) feliz sem ti, ainda que me vá faltar para sempre aquele bocadinho que tu me levaste e que eu nem sei bem qual foi. E que, de vez em quando, ainda vai apetecer-me ter as mãos nas tuas e o rosto enterrado no teu peito e entregar-me ao teu abraço, e dizer-te que nunca deixei de te amar e que não me devolvas a alma porque ela foi feita para ti. Mas em vez disso, sorrio-te enquanto te digo "olá" e continuo a viver. Sem ti, agora sempre sem ti.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Letter to the person that gave you your favourite memory.

Still a little bit of your taste in my mouth
Still a little bit of you laced with my doubt
It's still a little hard to say what's going on...
*
De vez em quando, ainda me permito uns minutos para pensar em nós. No fundo tu acompanhas-me muitas vezes, mas és mais como uma voz no fundo da minha alma, como uma mão que me afaga o coração e não o deixa arrefecer, em vez de me correres no pensamento. Mas de vez em quando, muito de vez em quando, ainda me apetece correr para ti e levar-te comigo, parar o carro à tua porta, buzinar e gritar-te "entra!", tu entravas a perguntar onde íamos e eu dizia-te apenas "vamos para onde éramos felizes", íamos para o nosso sítio e seria tudo como se nunca se tivesse criado este abismo entre nós. Mas isto é só de vez em quando. Porque eu passo a grande maioria do tempo na vida real, aquela em que existe o abismo e tu estás do outro lado. Aquela em que o mundo continua a girar, embora eu ache que, agora, ele gira no sentido oposto. Aquela em que as coisas nunca se encaixam porque me faltas tu, mas que continua a correr - aliás, que corre como nunca. Por isso, de vez em quando, permito-me pensar em nós. Porque a verdade é que, mesmo com o abismo, tu deste-me as melhores recordações que eu tenho. Algumas delas são também as mais dolorosas mas, acima de tudo, são as melhores. Ainda há um bocadinho do teu sorriso que vejo quando fecho os olhos, ainda sinto um bocadinho os teus lábios contra aos meus, ainda ouço um bocadinho a tua voz no meu ouvido e ainda consigo perder-me um bocadinho no conforto em que o teu abraço me envolvia, ainda nos vejo um bocadinho naqueles sítios que eram nossos, as mãos dadas e os rostos colados como se o Mundo fosse nosso. E eu só posso aspirar a um dia voltar a amar assim(embora eu ache impossível que isso aconteça), e ter com alguém uma coisa parecida com o que nós tivemos. E aí sim, eu serei a pessoa mais feliz do Mundo.

#LETTER TO THE PERSON THAT GAVE YOUR FAVOURITE MEMORY

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Odeio, odeio, odeio....

... sonhar contigo.
E depois acordar e perceber que tu não estás ali.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Ainda me lembro - Texto para a Fábrica de letras

Hoje apeteceu-me participar, já há muito que tinha vontade de o fazer. Por isso, e porque até diz bem com o título do blog, aqui fica o meu texto para o tema deste mês da Fábrica de letras - "O cheiro da chuva".
*
Ainda me lembro. Quando chovia eras meu, amavas-me cada centímetro da pele morena e sempre arrepiada, sempre a contar com a tua mão. É isso, o cheiro da chuva lembra-me as tuas mãos. As tuas mãos perfeitas e a maneira como se encostavam ao meu rosto, como me afastavam os cabelos dos lábios antes de os beijares, sorrires e murmurares um daqueles nomes bonitos que nunca mais deixei que me chamassem. Agora, limito-me a dizer, com um sorriso trocista: "Não me chames isso, por favor. É foleiro...". Claro que, na verdade, é porque ouvi-lo traz-te de volta e ao modo como aquelas palavras soavam quando saídas dos teus lábios. Ainda me lembro. Do teu riso, de sorrir sempre que te via, ainda ao longe, das borboletas que me esvoaçavam na barriga e de ter sido assim durante muito, muito tempo - mais do que a paixão, supostamente, deveria durar. Mesmo quando eu (já) te amava, tinha borboletas por todo o lado só de pensar em ti. E eu amei-te tanto, tanto. Tanto que já passou um ano e ainda hoje, quando chove, eu vejo sempre o teu rosto, ouço sempre a tua voz, percebo sempre que o teu abraço já está tão longe que mal consigo senti-lo à minha volta. E a chuva... sempre que sinto o cheiro da chuva, voltam as tuas mãos... e aquela tarde, em que encostei os lábios aos teus pela última vez, em que me desfiz em lágrimas e o meu mundo como o conhecia mudou, em que mudei o teu mundo como o conhecia também. Chovia, chovia muito, e nós ficámos abraçados uma eternidade, num adeus que ainda hoje parece que não acabou, porque ainda é atordoante e ainda me aperta o peito sempre que te vejo. Depois desse adeus, fui para a chuva e chorei a apertar o peito com os braços, numa tentativa de me abraçar como tu o fazias, para acalmar a dor, para travar a saudade que começou, nesse momento, a instalar-se no meu peito e que nunca mais me deixou.
Ainda te lembras? Eu não consigo esquecer...

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Odeio não te ter.

Furtado daqui.

"Gostava de conseguir abraçar-te,mesmo que não precisasses de estar comigo.
Gostava só de sentir o meu corpo gelado ir ficando cada vez mais quente e sentir o teu perfume.Odeio não te ter.E odeio ainda mais não te ter por pura incompetência.
Hoje gostava de ter os cinco sentidos num só.Consigo amar tudo o que foi e o que será ainda mais,mas o presente sem ti nem sequer é presente.
É alguma coisa algures entre uma mentira e uma verdade,num impasse constante também,entre a felicidade e a depressão profunda.As pessoas sonham com carros,carreiras,relações de sonho e eu sonho apenas com uma coisa.
Um abraço.
Que coisa deprimente...Viver num mundo com milhões de habitantes e não haver nada que nos compense a falta de um abraço.
É mesmo triste a puta da vidinha.
Dorme bem.
Adoro-te."


E afinal era mesmo isto que eu queria dizer. Só isto.
Odeio não te ter...

domingo, 3 de outubro de 2010

Hoje está a chover, e tu já só me apareces em sonhos.

Hoje está a chover. Está a chover e eu queria-te assim um bocadinho ao pé de mim. O meu coração aperta-se enquanto me lembro da tua voz, com o barulho da chuva a bater nas janelas, e engulo outro sonho daqueles que eram nossos e que nunca tiveram lugar na realidade. Sinto-nos ainda tão perto... Hoje está a chover, e eu tenho outra pessoa com quem ir para um Starbucks qualquer apreciar um Latte de chocolate branco quentinho e a chuva a cair lá fora, num abraço apertado diferente do teu porque é real - e o teu já só me aparece em sonhos. Sim, hoje está a chover, e eu podia ligar-te e pedir-te de volta, podia gritar-te que o Mundo nunca mais girará no mesmo sentido sem nós, que isto foi tudo fruto de uma conspiração qualquer de uma qualquer instância superior ao mais comum dos mortais e que eu quero descer da espiral que a minha vida se tornou sem ti. Eu podia, podia fazer isto tudo, e pegar-te a mão e fugir contigo e fingir, por uma tarde de chuva e chocolate, que éramos tão felizes como antes. Mas em vez disso, vou dar-me a outro abraço, deixar-me levar por outro sorriso, um que seja real porque o teu já só me aparece em sonhos. E dar-lhe a hipótese de me roubar o coração como tu um dia o fizeste (para sempre), e de me pegar na mão e de me cantar ao ouvido e de me dizer aquelas coisas que eu queria ouvir da tua boca que, agora, já só me fala em sonhos. E pensar que podíamos ter sido tanto...

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Will it ever go away?

Ainda penso em ti todos os dias. A verdade é que é mais fácil quando se tem outra pessoa a inundar-nos a mente, a encher-nos a caixa das sms, a ocupar-nos o tempo com saídas e programas a dois e a dar-nos novas (boas) recordações. E também é verdade que não penso em ti quando estou com ele. Mas a outra verdade, aquela que não digo a ninguém, é a falta que tu ainda me fazes e o quanto mudaste em mim. Eu não te superei, não te esqueci, ainda te trago comigo tempo demais ao longo do(s) dia(s). Não consigo dar-lhe a mão, sabias? Ele entrelaça os dedos nos meus e eu sinto-me tão desconfortável que puxo a minha mão, e ele percebe. É que ela costumava ser tua e era na tua que encaixava com perfeição, como se as nossas mãos tivessem sido feitas uma para a outra. Depois, às vezes, ele diz-me "gostava de ir ali!" e eu tenho de lhe dizer que não posso ir com ele, porque aquele sítio me traz recordações, e, mais uma vez, ele percebe que eu iria simplesmente sufocar se voltasse a ir ali, mais ainda se voltasse a ir ali com outra pessoa que não tu. E outras vezes, quando vou pela rua, a pensar em como pode ser bom ter alguém na nossa vida, sinto uma leve náusea quando me lembro que não é contigo que estou, que não é a tua voz que ouço no meu ouvido, que não é o teu riso que ecoa nas minhas noites, que nós afinal não somos nem nunca vamos ser aquilo que fomos, aquilo que, durante tanto tempo (tanto), ainda esperei que voltássemos a ser. Que nos perdemos de vez, que agora sim, é passado, sem qualquer tipo de retorno, sem nada no presente, nem no futuro - nunca mais. E que há ele, mas ele, por muito bom que seja, não é o que tu foste, e eu vou ter de me habituar a essa ideia, a de nunca mais ter o que tive contigo.
Mas, depois, ele faz-me sorrir. Muito. Todos os dias. Isto também é verdade, e eu vou esperando que ele tenha aparecido na melhor altura possível, e não na pior - aquela em que eu só preciso de alguém para esquecer-te...

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

É por isto.

Porque ele me faz sorrir todos os dias sem excepção, mas tu ainda me fazes desaparecer o sorriso do rosto. Porque eu não penso (muito) em ti quando estou com ele e ele me diz coisas que eu nunca tinha ouvido de ninguém, mas depois penso nas coisas que tu me dizias e que eu também nunca tinha ouvido de ninguém. Porque é como se ele estivesse a ocupar o teu lugar e eu não consigo abrir mão de ti, porque o adeus não se diz de um dia para o outro, demora, demora muito. Porque, no fundo, se tu voltasses, eu seria estúpida o suficiente para seguir o meu coração e cair-te nos braços, prontinha a tapar as feridas com pensos rápidos que, mais cedo ou mais tarde, iriam cair - e nem me importava, porque serias tu, seríamos nós. Porque não é culpa dele, nem sequer minha, és tu - tu, que estás ainda debaixo da minha pele ao ponto de eu não conseguir senão sentir-te, que me fazes ter o coração do tamanho de uma formiga, que me aceleras a pulsação quando apareces no visor do meu telemóvel, tu, cuja voz nunca deixa os meus ouvidos, cujo sorriso nunca me abandona o peito.
Porque o meu coração está desfeito, porque estes últimos meses deram cabo de mim, porque não consigo estar com uma pessoa que gosta de mim sabendo que, no fundo do meu coração, eu ainda te amo, e que ainda acho que nunca nada vai ser como tu. Não é justo.
É por isto.