Dear Cupid, next time hit both.









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quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

A todos os meus seguidores, em especial aos que sofrem pelo amor, sim?


Apesar de isto ter sido publicado às duas da tarde, eu estou a escrevê-lo às duas da manhã. É tarde e ultimamente não fico acordada até estas horas durante a semana, mas apeteceu-me ir ler posts mais antigos e de repente precisei de escrever-vos. A vocês, sobretudo a todos os que acompanharam a minha paixão não correspondida ao longo de cerca de um ano. Para os seguidores mais recentes, esta história está nos posts com a etiqueta "fairytale". Há mais de um ano atrás, apaixonei-me de uma forma estúpida por uma pessoa que não sentia o mesmo por mim, apesar de termos uma espécie de relação (não assumida, não séria e claramente não correspondente ao que eu queria). Já não escrevo posts com esta etiqueta há algum tempo. Por um motivo simples: passou. E precisava de dizer isto a todos os que vieram aqui ler-me ao longo desse tempo todo e dar-me força, dizer que eu ia mesmo viver o meu conto de fadas, que um dia ele ia mesmo acordar. Bom, ele não acordou; acordei eu. Aos poucos. Porque afinal há um limite para o quanto podemos gostar e suspirar e desejar alguém e não ter nada disto de volta. Afinal, também nos cansamos, mesmo quando tínhamos a certeza da perfeição da outra pessoa e de que aquilo nunca iria passar. E porque na altura também havia muita gente a comentar que estava a passar pelo mesmo, precisei a dobrar de dizer-vos que afinal sim, que afinal passa, que afinal chega o momento moving on. Não porque percebemos que não vale a pena, não porque ele nos diz que nunca irá gostar de nós, não por motivo nenhum em especial. Acontece naturalmente porque, também naturalmente, nada dura para sempre. Agora o meu coração não dispara quando o vejo, não fico vidrada nele, não o acho um sem fim de qualidades (não desfazendo, o moço é muito giro e divertido e tudo, mas eu estava a alucinar um bocadinho). Mas olhando para trás não me arrependo de nada. É verdade que não foi fácil, ainda foram uns quilos perdidos, umas noites a adormecer com a almofada molhada, umas coisas assim chatas. Mas pela primeira vez passei pela experiência de gostar de alguém e não ser correspondida - e sobrevivi. Mais importante, sobrevivi ao ponto de sorrir quando leio o que escrevi para ele, e ao ponto de conseguir gostar de outra pessoa agora. E ainda tive a vantagem de ter escrito coisas muito giras, num registo que nunca tinha experimentado antes. Valeu a pena. E sim, a vossa paixão unilateral também vai passar, eventualmente. Don't worry. Da minha parte, declaro oficial o fim dos posts com a etiqueta Fairytale. Muito obrigada a todos os que seguiram a história!

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

And the games you'd play, you would always win, always win.


"Ela procurava o príncipe e ele procurava a próxima. Ela olhava para ele e ele olhava para todas. Ela queria-o a ele e ele queria uma. Ela fazia planos e ele destruía. Ela descobriu que ele era único e ele achou que ela era só mais uma. Ela sonhava acordada e ele dormia sem sonhar com ela. Ela desistiu e ele arrependeu-se. E então, ela descobriu que era ele que era só mais um e ele... ele descobriu que ela era única." (desconheço o autor)

Faltava ele descobrir que eu sou única.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Sabes qual é a diferença?


Eu odeio-te, porque dizes-me sempre que tiveste saudades minhas. Que gostas dos meus olhos e das minhas sardas. No fundo, eu só queria que tu dissesses que gostas de mim. Ou então só que aquilo significasse que tu gostas de mim. Mas não significa, tu só dizes que tiveste saudades, e eu nem sei o que é que isso quer dizer. Eu nunca tenho saudades tuas. Mas eu nunca quero que tu vás. Eu nunca quero que tu vás, e tu nunca me pedes para ficar. Não sabes que vais ter saudades? Eu ficava. É essa a diferença entre nós.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Estás a ver?


Eu queria uma pessoa que me deixasse cantar alto enquanto conduzo, e que depois me dissesse que eu canto mesmo mal e se risse disso comigo. E que depois me pedisse para cantar mais um bocadinho. Estás a ver? Eu queria-te a ti. E se tu não vês isso, e não me queres também, só podes ser um perfeito idiota.

terça-feira, 12 de julho de 2011

Eu acho que não é pedir muito. Mas...


Ter-te comigo esvazia-me sempre um bocadinho mais o coração. Porque eu queria sempre a tua mão um bocadinho mais entrelaçada na minha, eu queria sempre os teus lábios encostados aos meus por um bocadinho mais de tempo, eu queria sempre o teu braço a apertar um bocadinho mais o meu corpo contra o teu. Como se quisesses mesmo sentir-me perto de ti, e não porque, por acaso, os nossos corpos estavam perto o suficiente para me abraçares. Eu queria que, para ti, eu nunca estivesse perto o suficiente, que me quisesses sempre mais aí, encaixada nesse rumo flawless que é o da tua vida.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Shot through the heart. And you're to blame

Não soube. Agora que já sei, só me falta tirar-te da cabeça.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

When he doesn't love you back


Quando gostamos de alguém que não gosta de nós, o Mundo à nossa volta perde as cores. De repente, o cor-de-rosa esfuma-se e fica em tons de cinzento. Começamos a tentar perceber o que fazemos de errado, o que temos de tão errado para que aquela pessoa não goste de nós. Esquecemos até que muitas outras pessoas já gostaram, ou até gostam de nós - o que importa é que aquela, aquela em particular, a única que queríamos, não nos quer. Deixa-nos em desespero. Apetece-nos gritar "Eu posso ser tudo o que tu quiseres!" e prendê-la para que não vá para os braços de mais ninguém. Temos a certeza de que poderíamos ser melhores do que ninguém para essa pessoa - se ela ao menos nos deixasse tentar. Quando gostamos de alguém que não gosta de nós, o nosso cérebro luta constantemente com o nosso coração. Diz-lhe que aquela pessoa também é cheia de defeitos e, por cima disso tudo, não gosta de nós, o que deveria ser suficiente para não gostarmos dela também; o coração responde, numa voz muito mais alta, que não escolhe de quem gosta, que não pode deixar de gostar só porque sim, e que só queria a pessoa por perto - importam lá os defeitos agora. Quando gostamos de alguém que não gosta de nós, agarramo-nos a coisas pequeninas e insignificantes, como um sorriso na chegada, um olhar na despedida, ou as palavras que a pessoa usou numa sms. Qualquer coisa serve para manter viva a esperança de que, afinal, podemos estar enganados, de que, afinal, a pessoa até pode gostar de nós. Só que raramente estamos enganados, os nossos instintos costumam acertar quando nos dizem que não estamos a ser correspondidos, que aquele olhar podia ser alguma coisa mas depois o silêncio do outro lado diz muito mais. Quando gostamos de alguém que não gosta de nós, coisas tão simples como o tempo que a pessoa demora a responder-nos deixam-nos com os nervos em franja e passam a tomar as rédeas do nosso dia-a-dia. Pulamos de felicidade quando vemos o nome em questão no visor do telemóvel, o sangue corre-nos doutra maneira nas veias quando sabemos que vamos ver essa pessoa, limitamo-nos a passar pelos dias quando ela está longe. Quando gostamos de alguém que não gosta de nós, somos ridículos a este ponto. E só queríamos não ser ridículos sozinhos.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

A paixão


"(...) É assim que começa a paixão. E a paixão é o aspecto mais perigoso do desejo humano. A paixão leva àquilo que os psicólogos chamam «pensamento intrusivo» - aquele famoso estado de distracção, em que não nos conseguimos concentrar em mais nada, a não ser no objecto da nossa obsessão. Assim que a paixão ataca, tudo o resto - empregos, relações, responsabilidades, comida, sono, trabalho - fica pelo caminho, enquanto alimentamos fantasias sobre o ser amado, que rapidamente se tornam repetitivas, invasivas e absorventes. A paixão altera a química do nosso cérebro, como se nos estivéssemos a encharcar em opiáceos e estimulantes. Os cientistas descobriram recentemente que os exames de imagiologia cerebral e alterações de humor de uma pessoa apaixonada são extraordinariamente semelhantes aos de uma pessoa viciada em cocaína - e não é de estranhar, pois a paixão é uma adição, com efeitos químicos mensuráveis no cérebro. Tal como a antropóloga e especialista em paixão, a doutora Helen Fisher, explicou, as pessoas apaixonadas, tal como qualquer drogado, «sujeitam-se a coisas pouco saudáveis, humilhantes e até fisicamente perigosas para conseguir o seu narcótico».
(...) É claro que o problema com a paixão é o facto de ela ser uma miragem, uma ilusão de óptica - na verdade, uma ilusão do sistema endócrino. A paixão não é exactamente a mesma coisa que o amor; é mais como a sua segunda prima duvidosa, que está sempre a pedir dinheiro emprestado e não consegue segurar um emprego. Quando nos apaixonamos por alguém, não estamos realmente a olhar para essa pessoa; estamos apenas cativados pelo nosso próprio reflexo, inebriados por um sonho de completude que projectámos num perfeito desconhecido. Nesse estado, temos tendência para decidir todo o tipo de coisas espectaculares sobre os nossos amantes, que podem ou não ser verdade. Percepcionamos algo quase divino nos nossos amados, mesmo que os nossos amigos e família não o vejam. No fim de contas, a Vénus de um homem é a lambisgóia de outro, e outra pessoa poderá facilmente considerar o nosso Adónis pessoal um falhadozinho, absolutamente entediante. (...)" (Elizabeth Gilbert, "Comprometida")

Espero que todos tenham tido o mesmo sentimento de iluminação e clarificação quando leram isto. Vamos lá, todos juntos: "ahhhhhhhh..." - com um suspiro de desalento no final, por favor.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Can we pretend that airplanes in the night sky are like shooting stars?


Naquele momento, tu fazes um sorriso tão perfeito que o meu coração salta duas batidas. E depois eu sigo, com o mesmo modo piloto automático de sempre, com os olhos húmidos a viagem toda, porque tenho o teu cheiro na minha pele mas ele vai desaparecer numa questão de horas, e então eu já não vou ter mais nada teu. Tu não me dás nada. Nem o prazer de saber que também estás a pensar em mim, ou que te preocupas comigo. Que te lembras de mim, sequer. Como agora, que são duas da manhã e eu não consigo fazer outra coisa que não rever cada palavra tua e cada expressão do teu rosto, e tenho a certeza que tu adormeceste há horas sem sequer te lembrares da cor dos meus olhos e sem me desejares perto de ti. E as minhas mãos estão vazias e apetecia-me que tivessem as tuas no meio, e aí eu podia adormecer. Assim, só gosto de ti de maneiras antes impensáveis e dava tudo para ser um bocadinho disto para ti. Se eu tivesse três desejos, tu serias um deles.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

It's 3 am, I must be lonely


O meu mundo era a preto e branco. Quando não havia cavalos nem princesas nem capas nem torres. O meu mundo era a preto e branco, tu vieste e ele passou a cor-de-rosa. Passou a sorrisos e a andar à chuva e a dançar sozinha, passou a vontade de (te) viver incessantemente, ao teu rosto sempre que acordava de manhã. E depois, depois passou a meios sorrisos, a meia felicidade, a meio aperto no coração quando percebi que eu não te deixava a dançar à chuva e que tu nem tinhas percebido que eu te salvei, eu e o meu cavalo branco. Tu nem percebeste que eu fiquei com a caneta na mão, suspensa, à espera do final feliz que tu não me deixaste escrever. E agora... agora estou só cansada. De gostar tanto de ti, de só te ver a ti quando tu nunca me vês. De não ter vontade de dormir, porque tu invades-me o pensamento quando fecho os olhos, porque invades-me os sonhos quando adormeço, porque estás lá quando eu acordo e nem sequer é a sério. Quem me dera que ver-te não me deixasse com o coração a mil, que fosses só uma pessoa igual às outras. Que não me fizesses odiar as músicas que antes me deixavam a sorrir porque te traziam para o meu lado, que não me fizesses odiar os casais de mãos dadas porque tu só me deste a mão uma vez e o resto do Mundo parou e tu nem deste por nada. Eu gostava que ainda me desses mais vontade de sorrir do que de chorar, de ainda achar que podia ser fácil, de achar que também podia depender de mim. Não depende, o meu cavalo branco continua à tua espera, mas a tua vida perfeita continua a não ter lugar para a confusão que eu costumo arrastar atrás de mim. Eu nunca vou ter lugar ao teu lado, é o que eu sei agora. E dói um bocadinho, e eu ainda queria ser perfeita o suficiente para poder estar aí, para poder estar contigo. Não sou, e tu não chegas a ver que o imperfeito tem muito mais piada. E sabes que mais? Eu queria mesmo que tu me visses, que me fizesses ver o mundo a cor-de-rosa todos os dias e que me deixasses a dançar sozinha. E queria mesmo que tu não dormisses sem mim, e estar no teu pensamento todo o dia, nos teus sonhos toda a noite. Eu sonho demais, espero demais, e nunca acontece nada. Gosto de ti, só isso. Adeus*

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Put your loving hand out baby...


Estou farta que os meus dias sejam coloridos por ti. Pelas tuas ausências sempre longas demais para o meu pobre coração, pelas tuas presenças sempre curtas o suficiente para que este aperto nunca me largue o meio do peito - dizem que se chama saudades. Eu tentei não gostar de ti, e a verdade é que já não pulo de alegria quando percebo que é a tua voz do outro da linha - fizeste-me esperar tempo demais. Mas eu ainda fico sem ar quando sei que estás ao virar da esquina. É que eu olho para ti e deixo de saber as coisas que acho que sei. E eu tento não te querer, eu tento tanto, mas eu quero-te tanto ainda. Ainda quero um bocadinho que me vejas aqui e que sejas tu, porque eu sei tudo o que nós podíamos ser e tu nem sonhas. Ainda me apetece abanar-te pelos ombros e gritar-te "Eu estou aqui e tu mudaste as cores do meu Mundo!", e ainda acho que a seguir tu ias dar-me a mão para eu descer do meu cavalo branco e beijar-me, e ias vestir tu a capa e salvar-me, em vez de ser ao contrário (eu salvei-te e tu nem reparaste). Ainda sonho um bocadinho com o momento em que ias tocar-me à campainha, ofegante, e pedir-me desculpa por só agora teres percebido - apesar de tu nunca me teres tocado à campainha e de nem sequer saberes onde moro, porque nunca quiseste saber onde eu moro, e isso já me matou mais mas ainda tenho tanta pena que seja assim. Que tu nunca tenhas percebido que nós podíamos e teríamos sido perfeitos juntos, que até as nossas mãos encaixavam na perfeição, quero dizer. Por isso, estendo-te a minha mão uma última vez e vou esperar que a agarres, e vou ficar aqui mais um pouco, só mais um pouco. O tempo necessário para poder dizer que desisto, que estou cansada de não ser gostada por ti, que já não consigo estar sentada à chuva só à espera do teu olhar na minha direcção. Que já não consigo só ver a cores quando tu me sorris. Que quero a minha vida a cor-de-rosa, mesmo sem ti, mesmo sem a dança que me punhas a fazer sozinha, mesmo sem os sorrisos plantados no rosto, mesmo sem o coração a saltar sempre que tu te aproximavas. Acho que prefiro gostar de mim do que de ti, deixar de contar os dias para te ver e não contar com os teus olhos de cor indefinida nos meus. Até lá, até ter a certeza, eu ainda estou aqui. Agarra a minha mão.

domingo, 13 de março de 2011

If you just realize what I just realized...


O que tu não vês é que nós seríamos perfeitos juntos. A minha mão podia caber perfeitamente na tua, nos fins de tarde perfeitos que podíamos passar junto ao mar. A tua voz soaria perfeita no meu ouvido, quando me dissesses tão normalmente "tu também abanas o meu mundo". A tua boca podia encaixar na minha de uma forma perfeita, e a minha cintura ficaria perfeita circundada no aperto dos teus braços. Nós seríamos perfeitos juntos. A minha mão encaixa perfeitamente na tua nuca, o meu coração bate a um ritmo perfeitamente desenfreado quando estás perto. O teu pescoço tem sempre um cheiro perfeito, as camisolas assentam-te na perfeição e a cor indefinida dos teus olhos é tão perfeita como o verde dos meus. E eu sou descompassada demais para ser perfeita sozinha mas, se tu quisesses, eu seria perfeita contigo.

sexta-feira, 11 de março de 2011

Às vezes odeio fazer de conta.


Acho que as nossas vidas ficaram piores desde que a moda das comédias românticas pegou. Importa lá que seja um dos meus géneros de filme preferidos, mesmo assim odeio comédias românticas. Porque vieram só para nos fazerem sonhar. Pior, para nos fazerem viver na (des)ilusão. Nas comédias românticas, há sempre uma protagonista gira, independente, inteligente e com um trabalho giro, como chefe de cozinha, escritora, dona de uma pastelaria/livraria/florista/whatever. Claro que ela nunca encontrou o amor e isso faz com que, de imediato, o público torça por ela. No seguimento desta ideia, é frequente que essa protagonista tenha características particulares/momentos do dia-a-dia que lhe atribuam um charme especial - é super distraída, esquecida, insegura, tropeça em tudo, deixa cair coisas, fica com pastilha colada nos sapatos, cai em pleno super mercado, cruza-se com o ex-namorado e a respectiva noiva linda de morrer, pisa cocó de cão na rua e fala sozinha o tempo todo - tudo isto de maneira gira, fofinha, encantadora. Eventualmente, conhece um gajo giro, modesto, inteligente, fiel, com um emprego estável, simpático, que fica de olho nela e, algumas peripécias depois, ficam juntos. No máximo, há uma ex que não o deixa, ou um ex por quem ela ainda suspira o tempo todo, num amor não correspondido que termina, como por magia, quando o gajo giro e modesto e etc. a convida para um café - ah, nas comédias românticas eles não se conhecem no facebook, esbarram um no outro e ela deixa cair tudo (até porque é desastrada e ele acha logo isso o máximo) e lá acabam, de uma maneira ou de outra, por trocar contactos (ele até se torna cliente fixo do restaurante/livraria/pastelaria/florista). E são estas merdas que me fodem, passo a expressão. Na vida real não há nada destas porras. Na vida real, eu até posso ser agradavelzinha à vista e remotamente inteligente, mas não tenho um trabalho giro e o facto de passar a vida a esquecer-me de coisas e a baralhar tudo, a tropeçar e a deixar cair coisas, a pisar cocó e a falar sozinha não me atribui charme nenhum e não tem rigorosamente nada de adorável. Da parte do gajo giro, inteligente, fiel e modesto que fica por perdido por nós, comuns mortais que tropeçam e pisam cocós, nem vamos falar, porque ele simplesmente não existe. Depois, se há uma pessoa por quem eu suspiro o tempo todo, bem podia vir o Papa e o Papamobil e a comitiva do PSD tudo junto, que eu não ia deixar de suspirar por causa disso. Provavelmente, não teria olhos para mais ninguém - além de que, na vida real, os homens que têm interesse em nós vêm falar connosco através do facebook, em vez de esbarrarem connosco à saída do café, como deviam, e de nos fazerem deixar cair o latte e as folhas todas que carregávamos nos braços. Ao mesmo tempo, enquanto nas comédias românticas chega a ser adorável a maneira como a protagonista sofre por um amor não correspondido - a maneira como ela se queixa com um tom tão sonhador que nos faz pensar "oh ela gosta dele e ele nem vê, o tontinho, oh que giro" - na vida real isto não tem piada nenhuma. Por muito que eu tente amenizar a coisa quando escrevo, por muito que eu tente que pareça que passo os dias a sonhar e que é giro e só ligeiramente exasperante, a verdade é que é triste, que eu fico triste sempre que me apercebo que não sou tão importante como gostava e que ele não me vê como eu o vejo - que ele não me vê de todo, e é completamente exasperante, a cada minuto, todos os dias.

terça-feira, 8 de março de 2011

O momento "tou fodido/a"



Não sei se estão familiarizados com o momento "tou fodido/a". O momento "tou fodido/a" ocorre, regra geral, quando não tínhamos intenções de nos apaixonarmos por alguém e precisamente quando percebemos que as intenções pouco importam e que, basicamente, já fomos. O momento "tou fodido/a" ocorre (igualmente ou em simultâneo) quando nos sentimos indefesos perante a pessoa em questão, quando ela nos olha e sentimos o estômago encolher, quando ela nos toca e o Mundo começa a girar em câmara lenta. É aquele momento em que a outra pessoa encosta os lábios aos nossos e nós dávamos tudo para que aquilo não acabasse, ou em que sentimos o cheiro da sua pele e nos parece a melhor coisa do Mundo, ou em que temos a certezinha absoluta de que não é humanamente possível alguém reunir tanta perfeição - mas ela está ali, mesmo à nossa frente, para mal dos nossos pecados (ou não). Esse momento inoportuno, dispensável e exasperante em que miramos de soslaio a pessoa, o ar pára de nos descer pela traqueia perante os gestos mais simples dela e damos connosco a pensar, nada mais, nada menos, do que "oh não... ohhh nãooooo.... merda... tou fodido/a.". Isto tudo para dizer que eu estou, sim, muito, para lá de... Fodida. E reparem no "F", maiúsculo e tudo.

E houve tantos momentos desses ontem... Tou fodida.

quarta-feira, 2 de março de 2011

And so I went and let you blow my mind.


Ele deu-me a mão. Assim, sem mais nem menos, ele deu-me a mão pela primeira vez. Apertou os lábios contra os meus por dois segundos e pegou-me na mão, enquanto se ria de qualquer coisa que eu tinha dito antes e olhava para o lado para ver se vinham carros. Ele deu-me a mão, não vinham carros e atravessámos. Assim, sem mais nem menos. Com um ar descontraído, como se fosse a coisa mais normal do Mundo. Com um ar descontraído que contrastava com a minha boca aberta de espanto, seguida de um sorrisinho idiota, um ar descontraído que contrastava com o fogo-de-artifício que disparava em todas as direcções dentro da minha cabeça, com as borboletas às voltas no meu estômago, com o meu ar quase vaidoso por ter os dedos dele entrelaçados nos meus e esperar que toda a gente reparasse. Assim, sem mais nem menos, ele deu-me a mão. E, de repente, tudo valeu a pena.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Loving would be easy if your colors were like my dreams


Eles dizem-me que não vale a pena. Que não vale a pena, que eu consigo melhor, que eventualmente vai passar e as coisas vão voltar a ter a sua ordem natural. Mas eu não quero que passe, sabes? Não quero que passe. Quero sentir-me assim, quero que me deixes a dançar sozinha como deixas sempre quando passas, que me faças ver sol onde ele não existe e querer chapinhar em poças de água como quando tinha cinco anos. Porque não passa um único dia em que eu não pense em ti, e por que hei-de eu desistir de algo em que penso tanto? Porque hei-de eu desistir dos sorrisos que me deixas plantados no rosto, ainda que eles sejam parvos e pelos motivos errados? Eu ainda acho que tu vais ver-me. Ainda acho que vais encontrar-me aqui e perceber que esperei por ti este tempo todo, por ti, por isto. Por poder acordar ao teu lado e fazer-te sorrir com os meus lábios pressionados contra os teus, por ter as palmas das tuas mãos quentes no fundo das minhas costas e arrepiar-me com elas, por perceber que pregares os olhos nos meus te dá outro sentido aos dias. Eu vou ficar aqui à espera, e tu um dia vais acordar e vais ver que nada é igual a mim, e aí eles vão calar-se, vão calar-se e perceber que eu sou feita de sonhos e que tu foste feito para me adormecer.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

His dreams are like commercials. But her dreams are picture perfect


Eu sei que não sou perfeita. Eu sei, eu sei que tu és e que eu não sou. O meu cabelo não está sempre no sítio - às vezes o meu cabelo nem tem nada a que se possa chamar um "sítio". Tenho quase sempre olheiras, sou desastrada, às vezes tenho borbulhas. Às vezes tropeço, outras vezes escorrego, muitas vezes deixo cair coisas. Entorno bebidas porque estou distraída. Esqueço-me sempre de alguma coisa em casa, nunca sei onde guardo as chaves e preciso de anotar todos os meus códigos num sítio, senão esqueço-me deles - e tem de ser tudo no mesmo sítio, senão esqueço-me de onde anotei o quê. Faço questão de guardar bem as coisas importantes, e guardo-as tão bem que depois nunca as encontro. Chego sempre atrasada aos sítios, passo a vida a correr para não perder autocarros e a ficar parada no meio do trânsito, a perder-me mesmo com o GPS, a quase bater com o carro no da frente porque vou a olhar para o lado. Não tenho os dentes todos certinhos, não gosto do meu nariz e não sei maquilhar-me. Não vivo sem agenda, embora me esqueça de escrever lá as coisas de que não posso esquecer-me. A maior parte dos dias, não reparo bem no que visto até já ter saído de casa e já ser tarde demais. Vejo-me ao espelho só o suficiente para saber que não ando com coisas verdes nos dentes - e, mesmo assim, às vezes ando. Às vezes sou insegura e nem sempre tenho paciência para as pessoas. Ainda tenho o coração um bocadinho partido e os meus bolos saem sempre queimados. Por isso, eu sei, eu sei que não sou perfeita. Mas tu podias ser como nos meus sonhos e gostar da imperfeição...

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

So please, please, please, let me get what I want


Quero ir ter contigo uma noite destas. Atravessar essa rua escura, ouvir só o ar trémulo a entrar e a sair do meu peito e ver as pequenas nuvens de ar quente que me saem da boca a ficarem para trás. Quero os meus passos a serem ecos enquanto os meus saltos, desengonçados, assentam um de cada vez na calçada molhada. Molhada, sim, tem de estar a chover na noite em que eu for ter contigo. É que a chuva encaixa sempre melhor as coisas tristes. Quero ir ter contigo uma noite destas, aparecer-te à porta de gabardine preta só com lingerie por baixo. Como se vê nos filmes. Quero que tu me vejas, que me queiras duma vez e que eu não te deixe respirar, como tu me fazes só com um olhar. Porque é injusto, é injusto que eu te queira tanto e que tu me queiras tão pouco, que eu arda por ti e que tu nunca, nunca, me queiras acalmar o peito que alvoraçaste sem tentares. Quero usar-te e deixar-te no mesmo chão metafórico em que tu me deixas a cada dia, ser tão indiferente ao teu peito como tu és ao meu, escolher a dedo que tipo de recordação vou cravar-te na alma desta vez e depois partir, com a mesma leveza com que tu partes sempre depois de me cravares na alma a tua boca, ou o teu toque, ou a tua voz. Quero trazer de volta os meus saltos, a lingerie e a gabardine, a indiferença e a certeza, ir ter contigo uma noite destas e voltar sem que tu, para variar, queiras dizer-me adeus.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Querido banco de trás...


... abençoado sejas.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Quando se gosta de alguém


"Quando se gosta de alguém temos sempre rede, nunca falha a bateria, nunca nada nos impede de nos vermos e nem de nos encontrarmos no meio de uma multidão de gente.
Quando se gosta de alguém não respondemos a uma mensagem só no final do dia, não temos acidentes de carro, nem nunca os nossos pais se sentiram mal a ponto de impossibilitar o nosso encontro. Quando se gosta de alguém, ouvimos sempre o telefone, a campainha da porta, lemos sempre a mensagem que nos deixaram no vidro embacia­do do carro desse Inverno rigoroso. Quando se gosta de alguém, vamos para o local do aci­dente com a carta amigável, vamos ter com ela ao corredor do hospital ver como estão os pais, chamamos os bombeiros para abrirem a porta, mas nada, nada nos impede de estar juntos, porque nada nem ninguém é mais importante do que nós." (Fernando Alvim)

É por isto que eu sei. Que eu gosto de ti. E que tu... que tu não gostas de mim...

:(