Dear Cupid, next time hit both.









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terça-feira, 22 de novembro de 2011

Oh if only, if only...


Falham-me sempre as palavras nestes momentos. Os dedos suspensos sobre o teclado, o peito a encher-se de ar devagarinho, para que o vazio não o desfaça de vez. Nunca sei o que dizer sobre isto, sobre ti. É só por isso que te escrevo tão pouco. É que não é como se tu não me quisesses. Não é como se me tivesses trocado, não é como se não funcionássemos, não é como se tivesses outro nome no coração. Não é, sequer, como se eu te tivesse perdido para sempre. Eu nunca te tive. Tive a minha cabeça no teu peito, o teu braço à minha volta, o teu abraço na despedida. E foi tudo. Mas valeu por uma vida. Porque agora eu sei onde pertenço. Sei que aí não importaria mais nada. Não me importaria quanto ganho, nem o preço da gasolina, nem se chove ou se faz sol, nem a quantidade de coisas que eu gostava de ter e não tenho. Porque eu teria a coisa que mais quis até hoje, aquela em que esgoto todas as minhas forças e em que perco horas de sono, aquela que desejo todas as noites sem excepção, a primeira em que penso quando acordo, lamentando sempre, sempre, não estar aí onde tu estás. Tu e uma cabana seriam o suficiente para eu ser estupidamente feliz. Eu nunca fui assim, sabes? Gostava que soubesses o quanto me mudaste em tão pouco tempo. O pouco que me importa agora tudo o resto. O passado, o presente, os outros - pouco me importa. Os dias passam a uma velocidade estonteante, apenas porque estão vazios. Não têm nada que interesse o suficiente para os marcar. As segundas-feiras são sempre segundas-feiras, e as sextas-feiras são sempre sextas-feiras. O vazio no meu coração pesa tanto num dia como no outro. Tudo o que eu queria era poder estar contigo. A vida seria tão mais fácil. Tão mais bonita. Tão mais vivida. Se ao menos eu pudesse adormecer ao teu lado...

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Eu disse-vos que era ridículo.




Agora, a minha vida está dividida em antes de ti e depois de ti. E o depois de ti tem muito mais piada. Agora, a tua voz é o meu novo som preferido. Os sítios onde me levaste são os sítios onde já estivemos, os meus dias são feitos do momento em que falo contigo, as minhas noites são em branco porque preferia passá-las ao teu lado. Agora as minhas comidas preferidas são aquelas de que tu também gostas. As minhas roupas são divididas entre as que tu já viste e aquelas que não sabes que tenho e a música que ouço é a que sei que tu ouves também. Agora não gosto tanto do fim-de-semana porque nunca sei de ti, não gosto de acordar porque tu ainda estás a dormir e eu preferia que víssemos o mesmo nascer-do-sol. Agora, como dizem os Ornato, a cidade está deserta e alguém escreveu o teu nome em toda a parte. A minha almofada não é a mesma depois de a minha cabeça ter repousado no teu peito, e eu não vou gostar deste Outono porque era aí que eu queria ver as folhas a cair. Agora eu nem me lembro de alguma vez ter tido o coração partido - agora, ele vive só apertado. Mas agora, depois de ti, os meus sonhos são gigantes e a minha vontade é ainda maior.

quinta-feira, 30 de junho de 2011

I try to walk away and I stumble...


Estás a ver o planisfério de que falávamos na escola? Já o percorri a dedo, já desenhei caminhos novos. Já o fiz sozinha e acompanhada. Já tentei passo a passo e já tentei adiantar quilómetros. Já tracei até mapas estelares, e nada. Volto sempre ao caminho que me leva a ti. E não há nada a fazer, sabes? O meu coração não me pertence desde que o deixei nas tuas mãos. E tu levaste-o contigo. Tenho vontade de pedir-te que ao menos tenhas cuidado, que ao menos não o deixes cair, que ao menos tomes conta dele. Que ao menos te lembres que ele continua a bater por ti, e que a cada passo que dás fora do que era o nosso caminho, ele parte-se mais um bocadinho. Tem cuidado, ao menos tem cuidado.

terça-feira, 21 de junho de 2011

I try to say goodbye and I choke.


Estou sempre a ser empurrada para ti. Eu juro que queria deixar de percorrer o caminho que me leva de volta a ti uma e outra vez, mas o meu coração parece não conhecer outro. Por muito que eu tente, por muito que trace novos caminhos, por muito que percorra mapas deste mundo e de outro qualquer, no fundo eu não me afasto um milímetro da estrada que íamos percorrer os dois. Não é que eu viva no passado, eu vivo é num futuro em que tu estás, como era suposto. E num presente em que tu não me deixas escapar. Porque o teu sorriso está sempre lá, os teus olhos estão sempre prontos a encontrar os meus, e a tua vida está sempre a entrelaçar-se na minha, como as nossas mãos costumavam fazer. Não é suposto estares comigo, mas estás, estás sempre e por toda a parte. Sabes? Eu acho que não, mas gostava que soubesses que ainda te ouço a desejares-me boa noite sempre que encosto a cabeça na almofada e me preparo para mais uma noite sem sonhos contigo.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Hearts are broken everyday


"Todos temos em algum momento um coração partido. Rasgaram-nos a pele sem a mínima contenção pelos estragos que pudessem ser causados. Foderam-nos a razão, a emoção e tudo o que de mais veio à mão. Sem dó nem piedade, deixaram-nos na merda. Somos infelizes naqueles momentos que se seguem. Incapazes de sorrir ou tolerar a companhia seja de quem for. Só nos suportamos a nós, e mesmo assim a custo. Vemos o nosso reflexo no espelho e o que este nos retribui é uma figura pálida, triste e nua que nos olha com aqueles olhos que já nada sentem.
Como é possível que alguém nos mate e mesmo assim nos deixe com vida, com o único propósito de assistirmos a esta merda de existência? Começamos a questionar o que é o amor, o que é a paixão, começamos a racionalizar o porquê, o quando e o como. Não vale a pena, é o que é, foi o que foi. E o que resulta é isto. O nosso reflexo no espelho. Uma figura escanzelada, desprovida de compaixão própria. Mera existência que agora somos.
Achamos que nunca vai acabar. Somos a personificação do sofrimento. Até a um dia. Um dia olhamos para o espelho e vemos um sorriso. Questionamos, o que raio está aquilo ali a fazer. Intrigados sorrimos de novo só para o ver. É genuíno. Temos prazer no sorriso. No dia seguinte descobrimos a razão. Estamos livres. Somos nós novamente. Não há mais dor. Acabou. Não morremos.
Até ao dia. Em que nos tocam e ficamos a olhar para aquela pele que toca na nossa e nos sentimos a sorrir novamente. Merda, e agora? Vamos passar por tudo novamente? Mas agora é diferente, não sentimos dor, mas um sufoco. Questionamos e agimos como parvos que perderam o jeito para andar. Tropeçamos em nós próprios e tentámos a custo aguentarmo-nos. Onde havia dor há agora parvoíce. Mas sentimo-nos vivos. O nosso reflexo ganha cor, ganha existência, sorri-nos de volta."


Tirado daqui. Adorei. Sinto-me parva... cheia de parvoíce.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Be careful of my heart



Eu já me atirei de um avião. Já fiz mergulho a vários metros de profundidade depois de me terem dito "Sim aqui há tubarões de vez em quando... mas não te preocupes que eles só vêm no Inverno". Não tenho medo de ratos nem de cobras nem da grande (grandeee) maioria dos bichos. Não tenho medo de morrer, simplesmente não tenho. Ou seja, não tenho medo das coisas que a maioria das pessoas teme. Pensava eu. Até me lembrar de outra coisa. Lembrei-me disto hoje, ocorreu-me sob a forma de um pensamento: "Não há nada mais aterrador do que entregarmos o nosso coração." A ideia de o depositarmos nas mãos de alguém é assustadora. Ele fica ali, desprotegido, fora da caixa que é o nosso peito e que sempre o vai protegendo. À mercê da vontade do outro. E isto é simplesmente aterrador. Por muito bonitas que sejam as teorias de que o medo não deve impedir-nos de viver, a ideia de deixarmos o nosso coração, o nosso pobre, remendado e dorido coração de novo nas mãos de alguém é paralisante. Sabemos lá o que aquela pessoa vai fazer com ele? Sabemos lá se não vai deixá-lo cair e pisá-lo sem querer - ou, pior, atirá-lo ao chão e passar-lhe por cima porque nem se preocupou em tratar dele? Ou, pior ainda, muito pior, se a pessoa o devolve porque já não o quer? E depois, o que fazemos com um coração devolvido, usado e encolhido de tristeza e vergonha pela rejeição, destituído de orgulho e do carinho do outro? Cheio de amor para dar, mas um amor que se parece mais com lâminas afiadas a trespassá-lo do que com o calor que o amor deve causar no coração? Pensar nisto de manhã quase me deixou deprimida. Quase. Porque, depois, lembrei-me do resto. É que entregar o nosso coração tem tanto de assustador como de inevitável. Vamos sempre amar. Por muitas voltas que demos, por muito que tentemos evitar, eventualmente aparece alguém que nos pega de novo no coração. Com as duas mãos juntas em concha, e nós deixamos porque não conseguimos não deixar e porque sim, a frase cliché é verdade, o tempo cura e o medo não pode (mesmo) impedir-nos de viver. Pelo menos desta vez sabemos que, se o nosso coração cair de novo, ele vai curar-se. Porque já se curou antes. E entregamos o nosso coração.
E vale a pena.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Eu também não sei, mas gostava de saber...

Jornalista da TVI - Quando o coração não bate, o que é que isso quer dizer?

Menina de 4 anos - Que ele está doente...

Jornalista da TVI - E como é que se cura um coração?

Menina de 4 anos - Não sei...



Pois, olha... eu também não.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

How can you mend a broken heart?

O facto de ter passado um ano, juntamente com a quantidade de pessoas que conheço a passar por situações semelhantes, pôs-me a pensar nisto. Como se cura um coração partido? Eu sei que é possível, sei que se cura, porque já o testemunhei. Já vi um coração desfeito curar-se, bem perto de mim. Mas nunca percebi como isto acontece. Sei que a dor vai passando, as feridas vão cicatrizando, vai custando cada vez menos. Mas e a saudade? O que se faz com a saudade? O que se faz com todas aquelas recordações que nos acompanham no dia-a-dia? Sempre li que, quando o coração se nos parte desta maneira, há certas coisas que devemos fazer para o ajudar a curar-se. Devemos sair, ver sítios diferentes, estar com amigos, conhecer pessoas novas. Bom, se me perguntarem, antes de mais nada eu acho que devemos ficar tristes. Bolas, acabámos de ter o coração desfeito em pedaços, devemos pelo menos isso a ele e a nós próprios - ficar tristes e chorar, chorar, chorar. O quanto for preciso e sempre que for preciso. Não rimos também quando estamos contentes? Então porque não havemos de chorar quando temos razões para estar tristes? Mas e depois? Quando já não choramos todo o santo dia, quando saímos, quando conhecemos pessoas, quando fazemos isso tudo? Quando seguimos em frente, quando até podemos dar a oportunidade a outras pessoas de nos entrarem peito adentro - quando fazemos isso tudo e, mesmo assim, o coração não se cura? Quando mesmo assim ele sufoca quando passamos naquele sítio, quando evocamos aquela imagem, quando ouvimos aquela canção? Eu ainda penso em ti todos os dias, sem excepção. Por todos os motivos, por motivo nenhum. Passou um ano e as saudades ainda tomam conta de mim tantas vezes. Que raio posso eu fazer mais? Além de esperar, de seguir, de te afastar, de (nos) perdoar, de sair, de rir, de (sobre)viver? Tem de haver mais alguma coisa que eu possa fazer. Como se cura um coração que (ainda) é teu, que (ainda) tem o teu nome? Que em tempos esteve nas tuas mãos, indelevel e irrevogavelmente... Como se faz?

quinta-feira, 10 de junho de 2010

But you own the place where all my thoughts go hiding...

Hoje, abro-te o meu coração. Em silêncio, para que não o ouças. Eu amei-te como se fosse para sempre. Amei-te como se fosse para sempre, e o "como se fosse" desapareceu. Perdoa-me a leveza da escrita, mas bem sabes que nunca fui capaz de pôr o que sentia por ti em palavras. Como se põe em palavras, em algo tão efémero como palavras, um amor eterno? Um amor daqueles que se nos cravou no coração e que nunca se apaga? Não se põe, é simples. Mesmo hoje, já tão longe dos teus braços, eu não consigo pôr-te - pôr-nos - em palavras, não consigo deixar-nos bem explicados em texto algum. Mas o amor não se explica, é mesmo assim. Às vezes acho que podia entregar-me. Que podia parar de remar contra a maré que me puxa constantemente de volta para ti, e entregar-me. É tentadora, a ideia de voltar a estar no conforto dos teus braços, apertados à minha volta como se um escudo do resto do Mundo se tratassem. Mas depois penso que isso seria desistir cedo demais. Eu ainda quero fazer tanto. Mesmo que considere a possibilidade de um dia voltarmos a ser nós (alguma vez deixámos de ser nós?), eu ainda tenho muito por fazer, e não estou disposta a abdicar disso já. E eu sei que posso perder-te, e eu sei que posso ter de viver o resto da minha vida com isso. Mas eu não acho que a felicidade esteja dependente de uma só pessoa. E recuso-me a acreditar que não haja alguém mais parecido comigo, alguém que me complete como tu um dia fizeste. Alguém que partilhe os meus ideais ou que, pelo menos, os respeite o suficiente. O pior? Acho que começo a deixar de ter forças para te fugir. Para te dizer que não, quando o meu coração meio partido me (te) grita que sim. Que sente a tua falta e que tu o embalavas como ninguém. Mas ainda não me sinto preparada para baixar os braços, para dizer "rendo-me, sou tua outra vez". Continuo a estar meio oca, a ter aquele cantinho do coração/da alma por ocupar, mas esse vai ser sempre teu. Por isso, por tudo isto, perdoa-me se um dia destes eu voltar a chamar-te amor. É o meu coração a falar mais alto do que a minha voz, a falar-te em nome da saudade, a querer ser embalado por ti. Perdoa-me se eu te chamar amor... será só por uma noite.

terça-feira, 27 de abril de 2010

Às vezes acho que não pode haver mais niguém. Que ninguém vai ser como tu, ninguém pode ser como tu. As pessoas entram e saem da minha vida e nenhuma fica. Eu comparo-as contigo, e nenhuma fica. Nesses momentos, acho que deixei o meu coração contigo, que me esqueci dele nas tuas mãos. Um dia destes, peço-to de volta. Gostava de voltar a tê-lo só para mim...

quarta-feira, 21 de abril de 2010

You got me all wrong.



Quero gritar. Às vezes, por vezes, ainda quero gritar-te que o fundo do meu coração ainda te ama. Que ainda te quer, ainda te sonha. Quero gritar-te. Que voltes, que sim, que depois de tudo é contigo que quero viver a paredes meias, como sempre sonhámos que seria. Que não me esqueço, passaram-se sete meses e eu não me esqueço, ainda tenho em mim cada traço de cada plano que desenhámos a dois. Quero prender-te. Para que não fujas, para que saiba que vais estar sempre ali, que depois de tudo não vou perder-te. Que vais continuar a ser o meu porto de abrigo. Quero largar-te a mão... Para que sejas feliz, e gritar-te que podes ser feliz sem mim, se for isso que o futuro te trouxer. Que queria amar-te, amar-te aquilo tudo ainda, mas que podes ir, e amar outra pessoa, mas uma que te ame também. Quero sentir-te, porque não sei deixar de sentir-te, de me atirar de cabeça para o meio dos teus braços, dos teus abraços, da tua voz envolvente que nunca me deixa duvidar. Quero gritar-te... que sejas feliz, que vás, mas que voltes, que voltes sempre, porque o fundo do meu coração ainda te ama e nunca deixará de amar-te, meu querido... Quero gritar-te, sim... que na verdade eu nunca te deixei ir, que nunca deixei de te trazer comigo, que sempre me aqueceste o coração... gritar-te... que ainda te trago em mim, que ainda te sinto em mim, que depois disto tudo este pedacinho de mim ainda te ama e só te quer de volta...

E quero muito deixar de me sentir assim.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Eu não sei quem inventou o amor.




Eu não sei, não sei quem inventou o amor. Não sei quem disse que tem de ser tão intenso, tão profundo, tão forte e tão desconcertante. Eu não sei quem ditou que, depois deste tempo todo, eu ainda tenho de levantar os olhos para um céu estrelado e procurar o que restou de nós nas estrelas. Não sei, não sei quem inventou o amor. Quem decidiu que teria de ser tão sufocante, tão necessário, tão confuso e tão absurdo. E também não sei porque tive tantas certezas de já ter-te esquecido, e não sei para onde elas foram, essas certezas. Não sei por que motivo nem como achei que era possível já não te amar, já não nos sonhar, já não te querer, já não me apertares tanto o peito. Eu não sei, não sei quem decidiu que teria de ser assim, que só faria sentido com o amor, que o amor não faria sentido e que amar teria sempre de nos tirar os pés do chão, de nos deixar à beira do precipício, vulneráveis a qualquer empurrão da pessoa amada que nos dissesse "Adeus, já não te quero mais". Não sei quem achou que teria de ser assim, que nós não poderíamos simplesmente retirar do peito quem já nos retirou do seu, que não poderíamos optar por não perder lágrimas e por passar ao amor seguinte, esquecendo o anterior. Não sei quem decidiu que nós não poderíamos decidir. Que teríamos de esperar que passasse, de perder lágrimas e de desfiar soluços sob o luar, de implorar para voltar atrás e podermos apenas segurar a mão da pessoa que amávamos, de lhe pedir que fique, apenas que fique, porque juntos podemos fazer melhor. Não sei quem achou que o amor poderia ser eterno, que poderíamos amar alguém mesmo que essa pessoa já não nos amasse, mesmo que já não fizesse parte da nossa vida, não sei quem decidiu que seria assim, que quando amamos alguém a sério essa pessoa nunca mais nos deixa a alma. Não sei por que motivo não podemos amar alguém e ter espaço para outras pessoas na mesma, porque depois poderíamos amar uma delas também. Não é assim. Quando amamos alguém, como eu te amei (e tanto que te amei...), não há espaço para mais ninguém. Pode haver alguém que nos chame a atenção, podemos mesmo gostar de alguém. Mas quem amamos fica-nos sempre. Mesmo quando esquecemos, mesmo quando temos tantas certezas. Se ele volta, percebemos que, afinal, ainda amamos, ainda queremos, ainda sonhamos. Que não esquecemos. Que não vamos esquecer. Eu não sei, não sei quem inventou o amor.



Mas gostava de saber. E dava-lhe uma carga de porrada.

terça-feira, 13 de abril de 2010

Fazes-me querer gritar.

Fazes-me querer gritar ao Mundo que está tudo errado. Que está tudo fora do sítio. As coisas não estão na sua ordem natural, o próprio Mundo tem girado ao contrário. E a culpa é tua. Fazes-me querer gritar tudo o que tenho no peito, tudo o que o silêncio grita dentro de quatro paredes, e que a minha casa está assombrada. Por ti, e pelas nossas recordações. Malditas recordações... é como se eu não pudesse ser feliz onde já fui contigo. Como se os nossos sítios nunca deixassem de ser nossos, nem as nossas canções de ecoar nos meus ouvidos. Claro que ainda ecoam nos teus, mas eu vivo tudo tão profundamente. Fazes-me querer gritar-lhe que te deixe, porque toda a gente sabe que tu serás sempre meu e que eu serei sempre tua. Não sabes? Às vezes acho que sim. Que nunca serei capaz de me dar assim a mais ninguém, que as tuas mãos serão sempre apenas e ainda... as tuas mãos. E a tua voz... será sempre a tua voz. Maldito sejas tu. Que me apareceste e me prendeste desta maneira. Fazes-me querer gritar-te que vás, mas que não demores a voltar. Fazes-me querer acordar e não pensar em ti, nunca pensar em ti, enterrar-te no passado e não te deixar sair de lá. Mas sabes? Eu deixo. Porque nem sempre calo o coração e ele fala por mim, fala-te por mim, e pede-te que fiques. Tu ficas, a meio... Fazes-me querer gritar. Que não está tudo bem, hoje não. Mas que amanhã vai ficar.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

O amor é fodido...


O amor é fodido. O amor é tão fodido. O amor é mais do que fodido. O amor dá um novo significado à palavra "fodido". F*da-se... Porque é que o amor é tão fodido?

quarta-feira, 3 de março de 2010

E entregamos o nosso coração.

É inevitável. Pelo menos uma vez na vida, entregamos o nosso coração a alguém. Na melhor das hipóteses, ele não nos é devolvido como uma camisola que já não serve, velha e amarrotada. É bem cuidado e permanece nas mãos de quem nos ama, por muito, muito tempo. Depois há as outras hipóteses. Uma delas, talvez a pior, é quando o nosso coração volta em frangalhos. Desfeito, esmigalhado, despedaçado em mil fragmentos que parecem não fazer sentido separados uns dos outros. E, quando ele nos é atirado de volta assim, ficamos ali, com os pedacinhos nas mãos juntas em concha, a alternar o olhar incrédulo entre as costas daquele que era o dono do nosso coração, enquanto ele se afasta sem olhar para trás, e os mil pedacinhos nas nossas mãos, cada um deles reflectindo uma recordação mais dolorosa do que a anterior. Eventualmente, com o tempo, o precioso tempo, conseguimos voltar a juntar os pedacinhos. Contudo, por muito bem que os colemos uns aos outros, notam-se sempre os veios onde eles se juntam - ficam sempre, sempre, marcas que nos lembram daquela dor atroz que é ter um coração (o nosso coração) em pedaços nas mãos. A outra hipótese é quando ele vem corroído, carcomido, como se estivesse gasto. Isto acontece quando alguém nos vai levando um pouco de cada vez, quando alguém vai esgotando o nosso amor aos poucos, corroendo o nosso coração a cada dia que passa. É quando alguém não nos faz bem mas nós só percebemos isso quando já temos o coração mais corroído do que se o tivéssemos mergulhado em ácido sulfúrico. Aí, pegamos no nosso coração e damos-lhe, mais uma vez, tempo. E ele cura-se, porque um dia encontramos alguém que sabe amar-nos e que toma conta dele, enchendo-o com tanto amor que ele regenera-se por si próprio, quase sem darmos conta. E depois há a outra hipótese. Acontece quando o nosso coração volta esmagado. Quando até podemos ter de ser nós a tirar o coração das mãos em que o depositámos, porque ele simplesmente nos diz que já não pertence ali. A sensação é a de que aquele coração está estragado, que ele se enganou, que ele devia achar que ainda pertence ali, e não percebemos por que motivo aquilo já não parece certo. Então, somos assolados por dúvidas, por "ses", por "porquês". E seguimos, de coração nas mãos, inteiro, aparentemente intacto, mas tão esmagado que não nos cabe ninguém no peito por muito, muito tempo. E aquele que foi o dono do nosso coração nunca o deixa na realidade, fica sempre lá, arrumado num cantinho, porque nós nunca percebemos por que motivo o nosso coração já não quis aquele dono, e ainda achamos que ele perdeu a razão. Seguimos, de coração esmagado nas mãos, cheios de incompreensão, de apertos, de saudades. De boas recordações. Deixamos outras pessoas entrarem-nos no peito, ainda que elas nunca possuam realmente o nosso coração. Mas seguimos. Cheios de dúvidas e com uma única certeza: a de que nunca, jamais, o nosso coração sentirá outro amor assim.

Talvez um dia percebas que o meu coração ficou esmagado. Talvez um dia me perdoes. Talvez um dia eu me perdoe, e perdoe o meu coração por ter querido mudar de dono, por não te achar suficiente. Mas tu moras nele, vais sempre morar. E talvez um dia to diga.