Há dias em que me custa até pertencer à raça humana.
Coisinha ruim que nós somos. Canso-me facilmente de andar por aqui a expor-me
ao ridículo, a oferecer-me para me fazerem mais uma mossazinha no coração. E
que amassado que já está o meu coração. Queria-o de volta. Queria-o inteiro e
livre de amolgadelas, que as palavras que já o atingiram em cheio tivessem
afinal passado ao lado e que ele só lhes tivesse sentido a brisa. Queria as
minhas próprias palavras de volta, porque eu já falei demais, já partilhei
demais, já dei demais. Vezes demais. Por esta altura, sinto o meu coração já
quase cozinhado em lume brando, numa espécie de banho maria que ora o faz saltitar,
ora o coze sem piedade. Quase me apetecia que o panassem. Talvez ficasse mais
protegido. Coisinha ruim que nós, as pessoas, mesmo as de coração mole, somos.
segunda-feira, 20 de outubro de 2014
sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014
Porque a verdade é esta
Quero-te por uma noite. A verdade é esta. Quero-te aqui e agora, sem vagar e sem demoras, como se fosse a altura certa, como se o timing fosse o perfeito. Como se não houvesse o reverso da moeda. Queres-me também?
Quero a tua mão a percorrer-me a espinha, quero beijos no pescoço e o cabelo preso nos teus dedos. Quero que me mordas e que morras por não me veres. Que a minha ausência te mate, porque a tua só me deixa vivo o coração o suficiente para te sentir a falta. Quero que não durmas sem a minha cabeça no teu peito, e que o teu último pensamento seja eu. Quero-te tanto. Queres-me também?
Quero Amor, a verdade é esta. Assim mesmo, Amor, com letra maiúscula e orgulho minúsculo, com quatro letras e infinita vontade, sem calma e com a loucura que já não há no Amor. Quero que não procures mais nada para poder dar-te tudo, quero que me vejas, que me queiras, quero-te aqui. E não quero que queiras além de mim.
Porque a verdade é esta. Quero-te por mais que uma noite. Quero-te para uma vida.
Quero-te agora.
Quer-me também...
terça-feira, 21 de janeiro de 2014
Try, try, try.
Não sei se é isto que é suposto acontecer à medida que
crescemos, mas eu apercebi-me, algures a meio do caminho, que a coisa que mais
fazemos na vida é, muito provavelmente, tentar. Nós, pessoas, tentamos o tempo
todo. Tentamos perder peso, ir para a cama mais cedo, chegar atrasados ao
trabalho menos vezes. Tentamos poupar dinheiro, comer menos chocolate, tentamos
ir mais vezes ao ginásio, tentamos agradar mais ao nosso chefe, tentamos
merecer um aumento, mudar para um trabalho melhor. Tentamos encontrar a pessoa
certa e, quando achamos que a encontrámos, tentamos fazer com que funcione.
Tentamos colar o coração de volta quando não funciona. Perdoar-nos quando a
culpa foi nossa. Tentamos que, para a próxima, a culpa não seja nossa. Tentamos
dar mais atenção à família e aos amigos, poupar dinheiro, fazer aquela viagem.
Tentamos olhar mais pela saúde, comer mais fruta, fazer caminhadas pela praia,
ver mais vezes o pôr-do-sol. Tentamos dar mais valor às coisas boas, não
reparar nas coisas más, tentamos ler mais e ver menos televisão, aprender outra
língua, ser mais cultos. Tentamos, o tempo todo, viver de acordo com o que
imaginámos. Tentamos saber quem somos, de onde viemos, para onde vamos. Tentamos
ser felizes, e tentamos de tal forma que vivemos cansados de tentar. Tentamos
tanto, que é quase tudo o que fazemos. E é quase como quando repetimos muitas
vezes a mesma palavra e ela perde o sentido; tentamos tantas vezes cortar a
meta de braços no ar que esquecemos o sabor que tem cortá-la mesmo a rastejar,
com a garganta seca, com os joelhos em sangue. Tentamos tanto, que deixamos de
saber onde acabam as tentativas e onde começa a vida, ou onde as duas se
encontram, como se cruzam. Como se vive a tentar, em vez de tentar viver. Vezes
demais.
terça-feira, 15 de outubro de 2013
Nós, em vez de eu e tu
Há chuva a bater no vidro como se fosse música, e pássaros a correr o céu como se fosse tarde. Há cheiro a saudades no ar. E, de repente, uma vontade de dizer-te que a nossa história vai ser a melhor. A nossa história, feita de trambolhões e cabeçadas, vai ser a mais bonita e a menos razoável. É a história em que eu estava, nem bem nem mal; estava, e tu vieste tão devagar, sem espada nem cavalo branco nem nada, que eu nem notei e não pude senão deixar que me salvasses de mim mesma. Nem pude senão agarrar a tua mão e não te deixar mais cair. Não sem mim, pelo menos. De repente, uma vontade de dizer-te que, se cairmos, caímos juntos. A partir de agora é sempre assim. Não tens o direito de cair sem mim, nem eu danço à chuva se não estiveres por perto. De repente, a nossa história é a melhor porque, de repente, é assim. Somos nós, em vez de eu e tu. A voar, em vez de a correr. E a partir de agora, meu amor, a partir de agora é sorrir... é sorrir, em vez de chorar.
quinta-feira, 26 de setembro de 2013
Fica mais um pouco, amor.
Fica mais um pouco, amor. Fica, para que te conte como é
acordar ao teu lado, para que te diga que importas acima de tudo, para que te
explique o quanto gosto de ti. Hoje já é tarde, mas se ficares eu deixo-me
estar nos teus braços e aperto-te também nos meus. Fica, porque quero as pernas
entrelaçadas nas tuas, a cabeça no teu peito e o coração a bater mais rápido
por ti. Fica por muito tempo. Ou então fica o suficiente. Fica o que chegue
para saberes de mim, para saberes que o pôr-do-sol é a minha altura preferida
do dia, que as minhas torradas têm sempre manteiga a mais, que o meu chá
preferido é o de menta. Que não conheço cheiro melhor do que o da terra depois
da chuva ou o da relva acabada de cortar. Fica o que chegue para me falares de
ti. Espera, não vás já. Não vás e eu ando de mãos dadas contigo, mesmo quando
não souber o caminho, armo-me de espada e cavalo branco e enfrento o mundo, ou
vou a pé onde for preciso para ver-te sorrir. Fica, e eu fico acordada até mais
tarde para ouvir um pouco mais a tua voz. Fica. Deixa-me que te conte como foi
bom ter-te encontrado, como é boa a sensação de as coisas terem, finalmente, um
sentido que antes lhes faltava. Deixa-me que te fale da falta que fazes quando
não estás. E de como não quero nem mais um dia sem saber de ti. E ainda há
tanto para aprendermos. Fica, amor... Não vás já.
sexta-feira, 20 de setembro de 2013
A ti, eu quero-te na mesma.
Disseram-me uma vez que o difícil não é encontrar a pessoa
certa, que o difícil é depois fazer com que resulte. O caralho é que não é
difícil encontrar a pessoa certa. Mais, quando achamos que encontramos a pessoa
certa, é difícil perceber se o nosso discernimento está certo ou se estamos só
tapadinhos mais uma vez, como em tantas outras vezes em que uma forma de miopia
quase fulminante se abateu sobre nós. Cabrão do coração, sempre a cegar-nos nos
momentos mais impróprios. A verdade é que, a ti, eu não tive de procurar.
Estiveste sempre por aqui, menos perto durante muito tempo e muito mais perto
depois, mais perto do que nunca agora. E a verdade é também que não tenho como
saber se és mesmo a pessoa certa. Tenho como me perguntar como é que algo que
apareceu numa altura tão errada parece tão certo, tenho como rir desse filho da
mãe que é o destino e da mania que tinha de achar que éramos diferentes demais.
Agora já só és diferente o suficiente, e sobretudo diferente demais de tudo o
resto que tive na minha vida até agora. Agora já só me pareces certo, porque
não há como não achar certo quem faz com que queiramos ser pessoas melhores, quem
faz de nós pessoas melhores. Não há como não achar certo quem nos ampara
quedas, quem nos dá a mão e nos ajuda a levantar, quem nos guia se não
conseguirmos ver, quem nos dá colo se ficarmos sem chão. E os trambolhões e
cabeçadas que já demos os dois, um com o outro, um no outro, fizeram-me ver que
sim, também pode ser difícil fazer com que resulte. Mas a ti, não há como não
te querer, por ti não há como não correr à chuva, não há como não apanhar o
avião no último minuto, não há como não dar o coração para que resulte. A ti eu
quero-te ao meu lado, sem tentar fugir, e com beijo de boas noites mesmo quando
conseguires mais uma vez (e vais conseguir) tirar-me a razão. A ti eu quero-te
na mesma, certo ou errado, longe ou perto. E a ti eu vou buscar-te onde fores,
porque toda a distância é mínima perto da minha vontade de encontrar-te.
Facebook: Matem o Cupido, por favor.
Facebook: Matem o Cupido, por favor.
quinta-feira, 5 de setembro de 2013
Só hoje.
Hoje quero dizer-te uma coisa. Quero dizer-te pela enésima
vez que gosto de ti e pela primeira vez que “gosto de ti” não faz justiça. Que
me disseram que um dia ia apaixonar-me de repente e que aí ia ser de vez e que
eles estavam errados, porque eu não me apaixonei de repente por ti. Quero
dizer-te que foi devagarinho, que quase não dei por nada e que bem que podia
ter tropeçado em ti que não teria tido a mesma piada; tivemos mais piada assim.
Hoje quero pedir-te que fiques. Que fiques sem pressas, sem armas, sem farsas.
Que fiques de manhã, à tarde e à noite, com sol ou com chuva, com frio e com neve.
Que fiques devagar, sem problemas ou com eles, porque se eles vierem eu fico e
dou-te a mão, puxo-te, empurro-te, levo-te ao colo, empresto-te um lenço se for
preciso. Fica, e eu prometo-te dias bons e que não fujo nos dias maus. Fica
também nos meus dias maus. Fica nas madrugadas. Não me enganes. Fica, gosta-me
de forma a que “gosto de ti” também não chegue, e não mo digas só; mostra-me.
Hoje quero dizer-te tanto. Que podemos ser Yin e Yang, 8 e 80, mas que talvez
sejas o meu um num milhão. Que espero nunca ter de esquecer-te e que nem sei
como se esquece alguém como tu. Fica, e eu prometo que apanho granadas por ti,
que fico de manhã, à tarde e à noite, que faço valer a pena. Hoje quero
dizer-te uma coisa: gosto de ti.
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