Dear Cupid, next time hit both.









sábado, 11 de maio de 2013

Eventualmente, cansa.



Eventualmente cansa. Não ter aquela pessoa que nos conhece como ninguém, que sabe que quando estamos tristes precisamos de uma tablete de chocolate com amêndoas, que sabe que não deve fazer-nos perguntas de manhã porque vamos sempre responder mal, que sabe que o nosso sítio preferido é ao pé do mar a ver o pôr-do-sol. Cansa nunca ouvirmos as palavras que queríamos ouvir, aquelas de que precisávamos mais. Nem que fosse no final dum desses dias merdosos. Cansa não haver quem se despeça de nós sempre com um beijo antes de ir para o trabalho, mesmo sabendo que odiamos que nos acordem – cansa não ter quem saiba que preferimos que nos acordem só para termos esse beijo na testa, ou então não ter quem se arrisque a dá-lo, porque não quis ir embora sem se despedir de nós, mesmo sabendo que pode levar um empurrão por nos ter acordado. Eventualmente, cansa. Não ter quem pense em nós logo de manhã e faça questão de nos dizer isso, ou então quem pense em nós antes de adormecer e também faça questão de dizer isso. Cansa não ter quem sinta a nossa falta e o diga de vez em quando, cansa não ter quem nos diga que somos importantes e não ter quem enumere todas as razões pelas quais se apaixonou por nós. Cansa não ter quem nos diga que o apaixonámos, assim, de forma parva, tão parva como a que sentimos. Cansa não saber que somos tão queridos quanto queremos, não saber que sonham com o nosso sorriso ou com os nossos olhos, não ter quem nos ligue só porque precisava de ouvir a nossa voz. Cansa não saber se a nossa voz faz falta a alguém. Cansa, eventualmente cansa. Não ouvir que foi tão bom estar connosco que não apetecia ir embora, que os minutos até chegarmos foram contados com ansiedade, que a música na rádio ao fim da tarde fez pensar em nós e sorrir. Não ter quem queira uma fotografia nossa só para poder ver-nos quando não estamos, não ter quem nos queira tanto na sua vida que nos apresenta a todos os amigos, não saber se alguma vez fomos ou seremos aquilo que gostávamos de ser. Cansa, sobretudo, que os gestos não se coordenem com as palavras, e não saber o significado das ausências. Eventualmente, cansa. E, sobretudo, cansa não saber.

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Ter o coração partido é não saber.



No fundo, ter o coração partido é não saber. Não saber como passar pelos dias agora que ele não está. Não saber como apagar as mensagens, nem como não sabê-las de cor. Não saber como não lembrar a voz dele nem as palavras que disse. Ou as que nunca chegou a dizer. Ter o coração partido é não saber sequer se a culpa foi dele por ter mentido ou nossa por termos acreditado. Não saber se ele ainda usa o mesmo casaco, se ainda se penteia da mesma forma, se ainda cheira ao mesmo perfume. Não saber se ele agora dá a mão a outra pessoa, se outra pessoa encosta a cabeça naquela que era a nossa almofada e adormece no abraço apertado dele. É não saber se há alguém que ele faça rir como nos fazia rir a nós. Ter o coração partido é não saber quando vamos ter sossego no coração outra vez, e não acreditar que um dia vai voltar a ficar tudo bem. É não saber se ele ainda pensa em nós, se tem saudades, se se arrepende. Se acha que devia ter-nos dado outro valor. E desejar que sim. No fundo, ter o coração partido é não saber se algum dia vamos voltar a tê-lo inteiro.

terça-feira, 30 de abril de 2013

Maldita a hora em que vendi a minha alma para conquistar o teu coração.



Rio-me da ironia que é estar no chão desta esquina quando tudo o que queria era estar ao teu lado. Rio-me, porque eu teria ido contigo onde tu fosses. Onde me levasses ou onde me pedisses para ir, ou onde a tua teimosia me deixasse ir. Mas no final, deixaste-me foi aqui. Onde achaste que as tuas falhas já não iam fazer-me tropeçar na minha própria vida, depois de ter tropeçado na tua. Mas sabes? Eu não teria visto as falhas no teu coração se não mas tivesses atirado à cara. Nem o buraco na tua alma, nem o vazio nas tuas palavras. E eu devia ter notado o vazio nas tuas palavras. Mas nós tropeçamos na vida dos outros e só vemos aquilo que queremos ver, e tudo o resto que o coração precisa fica mascarado. Por mãos dadas, por abraços durante a noite. Fica mascarado e nós damos tudo, vendemos a alma e damos de graça o coração, pedimos em troca muito menos do que precisamos e vamos esperando e acreditando que isso basta. E para mim bastava, até me teres tirado tudo sem me devolveres nada do que te dei, e eu dei-te tanto. Eu dei-te tudo, tudo, por mãos dadas que afinal não me impediram de cair, por abraços que afinal não eram apertados que chegasse, e no final tu deixaste-me aqui. E eu dei-te tudo, tudo. Maldita a hora em que vendi a minha alma para conquistar o teu coração.

https://www.facebook.com/pages/Matem-o-Cupido-por-favor/578633328818159 

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Bittersweet.



No fundo, era isto que eu tinha vontade. De espetar um selo bem dado nesse queixo. De deixar-te negros os olhos azuis que me prenderam no primeiro dia, logo depois de elogiares os meus. De pegar na porcaria da mota que nunca quis que tivesses e espatifá-la contra um muro qualquer. Tinha vontade de dar-te uma canelada das valentes, daquelas a sério, que deixasse marca durante uma semana, para ver se pelo menos assim não te esquecias de mim. Se pelo menos assim não era como se eu nunca tivesse existido na tua vida. Porque a tua marca, essa ficou cá bem cravada. Ficou-me nas noites em que adormeço sem o teu braço por cima, sem o som da tua televisão, nas manhãs em que acordo sem o teu despertador nem o teu peito para poder encostar a cabeça só mais cinco minutos. Eu queria, queria que fosse como parece, como se tu nunca tivesses estado na minha vida tanto tempo. Eu queria, mas não consigo. Queria que não me tivesses ficado em tanta coisa, e queria ter ficado em pelo menos metade do que tu me ficaste. E queria odiar-te, queria tanto odiar-te. Mas eu ainda gosto tanto de ti. Ainda sonho contigo, ainda morro de medo do momento em que vou encontrar-te com outra pessoa num sítio qualquer. Ainda fujo do dia em que vou descobrir que afinal a tua aversão ao compromisso era só uma aversão ao compromisso comigo. Ainda te desejo todo o mal do Mundo, para que um dia percebas como podias ter sido feliz comigo. E sim, no fundo ainda tenho vontade de pregar-te um valente par de estalos, porque me fizeste acreditar em tanta coisa e no final… no final deixaste-me ir, sem sequer me segurares no braço nem gritares “volta”.

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Para mais tarde recordar.



Caso alguma vez te esqueças, aqui fica o registo. Ter o coração partido é isto. No fundo, ter o coração partido é não te atreveres. Não te atreveres a ir ver fotografias, porque sabes que vais sentir uma coisa afiada a atravessar-te o coração. Não te atreveres a ir ler as sms guardadas, porque vais voltar a não perceber como tudo mudou tão depressa, mas também não te atreveres a apagá-las, porque no fundo ainda acreditas que um dia podem fazer parte da vossa história de amor. Ou então porque são tudo o que ainda te resta. Ter o coração partido é não te atreveres a deitar a cabeça na almofada sem te sentires prestes a adormecer, porque sabes que por muito que estejas bem essa é a hora a que os fantasmas voltam e, com eles, a saudade. É não te atreveres a ir aos mesmos sítios, porque esses sítios não fazem sentido a solo, nem a sítios onde podes encontrá-lo, porque sabes que ias dar 20 passos atrás, independentemente dos que já deste em frente. Ter o coração partido é não te atreveres a responder mais do que “está tudo bem” quando é óbvio que não está, não te atreveres a deixar de sorrir porque sabes que vais chorar, não te atreveres a achar que desta vez o toque do telemóvel pode trazer a voz dele que também sentiu a falta da tua. Ter o coração partido é viver só com metade do coração e não te atreveres a pedir a outra metade de volta, a que deixaste nas mãos dele e não sabes quando voltas a ver. Nunca te esqueças, ter o coração partido é isto.

É oficial, temos blog.

Matei o Tardes de Chuva e Chocolate e dei à luz um Matem o Cupido, por favor. Não prometo grande coisa, mas ainda tinha por aqui coisas escritas que não publiquei e que escapam ao registo da página no facebook. Seja como for, espero que vão dando um olhinho nas duas coisas.

https://www.facebook.com/pages/Matem-o-Cupido-por-favor/578633328818159

segunda-feira, 22 de abril de 2013

E se de repente este blog não fechasse...

... e em vez disso passasse a chamar-se "Matem o Cupido, por favor"?
Só me falta mudar ali o título.

https://www.facebook.com/pages/Matem-o-Cupido-por-favor/

domingo, 20 de janeiro de 2013

Agora sim, fim oficial do blog

E é agora sim porque antes tive de copiar os textos todos que escrevi aqui. O que significa que também reli quase tudo - e meu deus, eu escrevi muita parvoíce. Obrigada a todos os que foram ficando para ler, e a todos os que por alguma razão não ficaram até agora mas que passaram por aqui algum tempo. Obrigada a todos os que já estão a seguir a página no facebook. Confesso que ainda tentei jogar ao quem é quem e associar as caras aos blogues, mas depressa desisti, descansem, não fui feita para detective. Para quem ainda não está a seguir, realmente não sei de que estão à espera. Na volta isto ainda se torna viral e no próximo dia 14 matamos mesmo o Cupido, não gostavam de fazer parte disso? Até sempre para quem não vai seguir-me mais, até já para quem segue a nova página. Beijinhos, abraços e muitos palhaços sim?

http://www.facebook.com/pages/Matem-o-Cupido-por-favor/578633328818159

domingo, 13 de janeiro de 2013

Caramba, será preguiça?

Das cerca de 200 pessoas que por aqui passaram e leram a última mensagem, só 30 estão a seguir a nova página. É preguiça? E se eu fizer assim:

http://www.facebook.com/pages/Matem-o-Cupido-por-favor/578633328818159

Fica mais fácil? É só clicar, e depois em "gosto", et voilá, continuam a seguir-me. Vaaaaá, toca a mexer os dedinhos :)

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Fim do blog, hora do adeus

E agora eu podia pôr-me aqui a cantar como a Adele, 'this is the enddd' e fazer-vos chorar a todos como ela fez ao James Bond, mas não. Vou só mesmo agradecer por me terem acompanhado este tempo todo e dizer que tenho muita pena de já não ter tanto para partilhar como antes.
Agora a boa notícia (além de amanhã ser sexta-feira, já tinham reparado?). Ter pouco para partilhar não é o mesmo que não ter nada, e se ter um blog já não faz sentido, também não faz sentido não deitar cá pra fora o pouco que ainda tenho. Vai daí, criei uma página no facebook. Pronto, podem continuar a ler-me, eu ainda posso escrever parvoíces, nem tudo é mau hein? Devem saber como funciona, é só gostarem (ou fazerem like, ou curtirem, depende do idioma do vosso facebook) e depois as actualizações aparecem na página inicial.
 O nome da página é: Matem o Cupido, por favor. Agora ide fazer search e botar likes e partilhar cenas, que aquilo só tem 3 dias de vida e estou a falar para as paredes. Ah, e tal, que tenho 442 seguidores no blog... Agora é que vamos ver! 1, 2, 3... GO!

domingo, 25 de novembro de 2012

No fundo, apetecia-me ser um bocadinho menos eu


Apetecia-me voltar ao tempo em que não passava sem isto. Em que ansiava por chegar a casa e ler os comentários, responder-lhes, escrever um novo post, ir ler os blogues do costume, comentar. Apetecia-me voltar ao tempo em que ligava o portátil de propósito para vir ao blog. Mas agora não me apetece, há muito tempo que não me apetece e não sei como fazer com que me apeteça. Na verdade, há muito tempo que não me apetece nada do que podia apetecer e que não sei o que me apetece nem como encontrá-lo. Confusos? Bem-vindos à minha cabeça.

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

E quem me dera saber limar-nos. Mas não sei.


É nos cantos das histórias de amor que vemos se valeu a pena entregar o nosso coração. Nos cantos bicudos, limados, assim-assim. É nas arestas que nos encontramos e ao que restou do que demos, é ali sentados que fazemos o balanço entre o que entregámos, o que recebemos e o que nos foi tirado. Dizem que é a olhar o passado, mas é nos cantos das histórias de amor. Não é a fazer contas às vezes que demos as mãos, que cantámos canções ao ouvido, que nos deixámos acreditar. Não é a desfiar os sonhos que temos agarrados ao pulso, é a medir as fendas do nosso coração. Os cantos bicudos deixam sempre fendas maiores, os outros suavizam-nas e podemos respirar. E podemos limá-los, olhar o passado e limá-los, ou limá-los enquanto amamos e arredondar a nossa história de amor. Para que um dia as fendas não sejam tão grandes, para aprendermos se valeu a pena assim. Porque é nos cantos das histórias de amor que aprendemos se valeu a pena o que levaram do nosso coração.

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

E era giro se fosse desta.


O que eu queria era chegar-te. Chegar para que não quisesses mais nenhum pôr-do-sol nem mais nenhum amanhecer sem mim. Chegar para que pudesses não voltar a ver as estrelas, nem a ouvir o barulho do mar. Queria chegar para que os teus olhos ficassem nos meus e tu sorrisses, e isso te bastasse como me basta a mim ouvir-te a rir. O que eu queria, era que tu já não pensasses na vida sem mim, que não olhasses para horizontes onde eu não estou, que não imaginasses que mais alguém pode encaixar-se nos teus braços como eu nem que mais alguém pode conjugar contigo o verbo amar como eu um dia poderei fazer. O que eu queria era que tu soubesses ler-me e visses que eu queria-te mais nos meus dias e menos nos meus sonhos, que me desses tanto como eu tento dar-te a ti, que me pegasses na mão e me levasses contigo porque esse caminho que segues só faria sentido comigo e nunca, nunca sem mim. O que eu queria... era chegar-te, ser o suficiente para seres tu a pessoa que eu tenho acreditado que um dia, e ao contrário de todas as outras, iria ficar.

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Como ficar sem auto-estima em cinco minutos

Convivam com crianças. A sério. Com sorte, podem ter diálogos como os que tive hoje.

Serzinho irritante 1 - Oh Sofia, tu tens um bebé na barriga?
Sofia - ... não...
Serzinho irritante 1 - Ah... mas parece!
Sofia - ...

Cinco minutos mais tarde...

Sofia - A tua sorte é que tu és gira, miúda...
Serzinho irritante 2 - E tu, és gira?
Sofia - Eu sou linda, claro...
Serzinho irritante 2 - Não és nada... tens o nariz bicudo! Como o de um picapau!
Sofia - ...

Experimentem. Implacáveis.

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Eu gostava de ir brincar ao Halloween...

... Mas em vez disso vou trabalhar. E também gostava de ter feriado amanhã, mas também vou trabalhar. E depois também vou trabalhar. E depois também, e depois também, e depois também, e depois também, e depois também, e depois também, e depois também, e depois também, e depois também, e provavelmente depois também. Contaram os 'depois também'? Pois. Caso alguém já se tivesse perguntado, é por isso que agora nunca ponho aqui os pés... Já disse que amanhã é feriado e eu vou trabalhar?

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Sabes que precisas de ir ao ginásio quando...

Finges que estás grávida para poderes usar o wc de um restaurante sem teres consumido lá nada. E resulta. Fuck my life.

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Não sei porque não consigo escrever-te

A sério que não sei porque é tão difícil. Logo eu, que sou boa a escrever e que só queria mesmo dizer-te duas ou três coisas. Queria dizer-te que me dás borboletas e que és tu que me fazes desenhar aqueles corações estúpidos nos cantos dos meus cadernos. Que a tua voz é o meu som preferido e que já tenho músicas que me fazem pensar em ti. Queria só dizer-te que há poucas coisas melhores no mundo do que adormecer encostada a ti e que quando acordo ao teu lado preciso de sentir que estás ali. Que me fazes sorrir só por me lembrar de ti e que por ti eu deixei tudo o resto que não interessava. Na verdade, eu deixei o que interessava também, e isso passou a não interessar. Queria só dizer-te que gosto que não me deixes andar descalça e que me abraces a meio da noite, e que não me faças perguntas de manhã porque sabes que eu não vou estar bem-disposta. Que gosto da forma como te ris e que dizer-te que sim foi das melhores coisas que já fiz até hoje. Que, na eventualidade de isto correr mal, terás sido o melhor erro que já cometi. Queria só dizer-te isto. Pronto, já está.

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Só para saberem...

Estou viva. Extremamente irritada hoje, farta de não ter net em casa (embora tenha de admitir que agora sou uma pessoa bastante mais produtiva), de ter as minhas pessoas longe, de ter saudades e não poder fazer nada para mudar isso, de me parecer que o meu dinheiro tem asas, da pilha de loiça suja que se acumula no lava-loiça, da senhora do McDonalds que já veio aqui 28 vezes ver se o meu café ainda não acabou (sim, pedi a coisa mais barata para poder usar a vossa net, e pretendo fazê-la durar!), desta cidadezinha irritante em que já tentaram assaltar-me. E tenho fome. Mas estou viva. Era só para saberem.

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Sorte é o pipi da tia.

Acho que se ouvir mais uma pessoa a dizer "ah vais viver para x sítio?? que sorte!", prego-lhe semelhante chapadão que só pára de dar voltas nas cuecas quando bater na parede. Sorte? Sorte era ter-me caído um bilhete de avião no colo. Sorte era ter ganho o euromilhões e assim ter dinheiro para ir. Sorte era uma alma caridosa ter-se chegado ao pé de mim e dizer "Oh minha donzela que sois tão linda, quereis fazer o favor de pegar nesta passagem de avião para uma das cidades mais fantásticas do mundo? E tomei lá também uma casinha já com a renda paga para os próximos tempos, e já agora, porque não levardes a família e os amigos consigo? Fazei o favor, ora essa, o prazer foi todo meu!". 
Qualquer uma dessas hipóteses teria sido sorte, sim. Mas, por estranho que pareça, não foi o caso. Incrivelmente, tive de pagar o voo, tive de trabalhar bastante e de me poupar a muitas coisas para juntar (muito) dinheiro para sobreviver nos próximos tempos, tive de deixar um trabalho de que gosto para já, sabendo que muito provavelmente vou servir às mesas. Tive de sair da minha zona de conforto porque vou deixar o que me é conhecido, o que me é confortável, o que é seguro, e até o meu idioma vai ter de ser trocado por um em que não sou fluente. E pior do que isto tudo, descobri hoje, vou ter de deixar pessoas. Pessoas de quem gosto e que estão na minha vida. E se umas vão continuar lá quando eu voltar, outras podem não estar, porque a vida continua, as pessoas seguem em frente e nós ficamos para trás.
Portanto, não é sorte. É sacrificar umas coisas para ter outras, é ter força para fazer ouvidos moucos a quem disse que eu era louca, é ter em mente que é um sonho tornado realidade e que a vida é curta demais para viver no morno. É ter coragem, sobretudo. Ter coragem para ser feliz, quando o que temos, o que todos os outros têm e que lhes chega, não nos chega a nós.