Dear Cupid, next time hit both.









quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

I hope it's going to make you notice someone like me.


São estas pequenas coisas, sabes? Coisas como tu comeres com o guardanapo pousado no colo e pedires vinho tinto para o jantar e eu partir a comida toda em pedacinhos primeiro para depois poder recostar-me e comer só com o garfo na mão direita, levar as batatas fritas à boca com a mão esquerda, falar com a boca cheia e quase deitar arroz pelo nariz quando me rio. Coisas como tu saberes sempre para onde vais e eu ter de parar para perguntar três vezes, mesmo tendo o GPS ligado à minha frente. Coisas como tu dizeres sempre a piada certa, no momento certo, com a postura certa, e eu ter de recorrer a todas as minhas forças para não ficar com cara de quem está a ter um AVC quando tu falas para mim. Coisas como a tua roupa combinar sempre tão bem, e eu andar de casaco roxo, botas pretas, camisola cinzenta e mala castanha. Coisas como eu ter a certeza que o teu dia tem 24 horas e o meu não, porque tu tens tempo para tudo e eu ando sempre a correr e não faço metade do que gostava. São estas pequenas coisas que me fazem suspirar. É que tu és tão perfeito e eu sou esta confusão que tento esconder de ti.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Nova rubrica - A vida não se aprende nos livros, 1

Resolvi criar mais uma rubrica. Eu podia dizer que o motivo se prende com o eu achar muito giro a quantidade de coisas que vamos aprendendo ao longo da vida. E não aquelas coisas que se aprendem nos livros, nada disso. Falo daquelas coisas úteis, como pôr a mão (o braço, peço desculpa, sabe-se lá se não anda por aí ainda a gripe A) à frente do nariz quando se espirra, porque nunca se sabe quando vai sair dali um macaco disparado ou quando um bocado de ranho vai aterrar em cheio no nosso queixo (deixem-se de merdas, já nos aconteceu a todos). Eu podia dizer que tem a ver com a utilidade deste tipo de aprendizagem, e até tem um bocadinho, mas na verdade é mais para não vos bombardear diariamente com a coisa (pessoazinha) que mais me atravessa o pensamento (o corpo, os sonhos, a escrita...) e vocês não se fartarem e não acharem que, afinal, eu sempre fui uma lamechas com a mania que sou má e pronto, tenho uma reputação a manter. No fundo acho que é isso. E já sabem que podem partilhar as coisas que a vida vos ensinou - a do macaco já é minha.




segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Isn't it ironic?

É, não é? Hum?

domingo, 16 de janeiro de 2011

Mais uma vez, vou seguir todos os teus caminhos, fugir fingindo que me vês sorrindo...


Olha, eu estou farta destas coisas. De esperar que tu percebas, ou de tentar mostrar-te, de gritar-te "espera!" quando tu já viraste costas para ir embora (sempre tão rápido), para depois te segurar os ombros quando te viras para mim, enquanto inspiro a maior quantidade de ar que consigo e ganho coragem para te abanar e dizer qualquer coisa como "you rock my world", mas em português porque eu sei que tu não percebes inglês, e no preciso momento em que tu fixas os olhos nos meus, à espera do que me vai sair dos lábios, tudo o que eles deixam escapar é um "esqueceste-te do guarda-chuva", ou qualquer coisa do género. Tu sorris, dizes "ah, não é meu", e eu fico parada no tempo porque os cantos dos teus lábios curvados para cima têm esse efeito em mim, e quando volto a conseguir pensar tu já estás de costas a alguns metros de distância, a afastares-te, o teu corpo a oscilar levemente num balanço tão perfeito como tu, nem olhas para trás e eu suspiro. Estou farta destas coisas, que tu não me vejas e que não vejas que devia ser ao contrário, devia ser eu a ir embora e tu a ficares suspenso e sem ar quando visses o meu sorriso. Estou farta destas coisas.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Faço de conta que sou teu e tu és meu assunto


Eu gostava tanto que tu gostasses de mim. Que te apaixonasses daquela maneira ridícula que só se vê nos filmes (ah, e na minha cabeça - desta maneira ridícula que eu estou apaixonada por ti). É com isso que eu sonho. Contigo a chegares à minha porta, ofegante e ligeiramente suado, as bochechas vermelhas do esforço, os olhos postos nos meus, cheios da urgência de quem não pode esperar mais. Como se te tivesses apercebido de repente. Sim, é isso, como se te tivesses apercebido de repente que não podias ficar nem mais um minuto sem mim. Eu abria-te a porta e encontrava-te ali, a mão apoiada na parede por causa do cansaço de teres vindo a correr, uma amostra do teu sorriso e o teu corpo a encostar-se ao meu antes que eu pudesse dizer uma palavra, a mão na minha nuca e os teus lábios a pregarem-se nos meus com a decisão do costume mas com o triplo do desespero, mesmo antes de expirares intensamente pelo nariz com um murmúrio de satisfação de quem obteve o que precisava e de te afastares a sorrir - aí sim, o teu sorriso, aquele que me deixa o Mundo de pernas para o ar. E depois dizias qualquer coisa como "Não sei como demorei tanto tempo a perceber" e eu nem queria saber, porque tu eras meu, só meu. É com isso que eu sonho, sim, contigo a chegares, desta vez o cavalo branco seria teu e eu não hesitaria em subir-lhe para cima, com os braços à volta da tua cintura e a cabeça alegremente pousada no teu ombro. Mas na vida real, essa em que eu é que me apaixono por ti, consigo ver-te a rir se imaginasses que eu sonho com isto. Com torres e cavalos brancos e com o teu sorriso ofegante. E com o teu riso, mesmo o que largarias se soubesses.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

You & me (won't be unhappy)


E depois há momentos como aquele, em que eu chego a achar que talvez, só talvez, tu até me tenhas visto em cima do meu cavalo branco com a minha capa a acenar-te do lado de fora da torre. Mas depois tu voltas ao teu mundo que é tão perfeito que não existem contos de fadas nele, e eu volto à minha bagunça que é feita dessas histórias de encantar que acontecem o tempo todo na minha cabeça. E voltamos a ser duas pessoas em universos paralelos que tardam em encontrar-se. Ou melhor, em universos paralelos em que tu tardas em encontrar-me. Porque eu já te encontrei há muito tempo, já te acenei e até já te beijei e tu continuas a não acreditar que os contos de fadas existem e têm lugar na vida real. Não na tua, mas na minha, que tem (sempre tanto) espaço para eles. Só falta tu também teres espaço para mim. Anda, que o meu cavalo branco não espera e eu não quero partir sem ti.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

You got to lose to know how to win


Contra todas as (minhas) expectativas, parece que aconteceu. Aprendi a viver sem ti. E não, não estou a dizer que eles tinham razão. Eles diziam que ia passar, e não passou. Não passa. O meu amor por ti não passa, nunca. Nem quando há alguém que me desassossega o peito, que me invade o pensamento e me acelera o coração - ele continua a ter o teu nome. Continuas a ser tu, sempre foste tu. Aquele que me raptou a alma e não a devolve, mesmo depois de a ter deixado partida, e o único que ficou nela de todos os que eu amei. Eu aprendi a viver sem ti, sem o amor da minha vida, sem aquele que fazia o meu mundo girar. E é (quase) tudo igual. Percebi que o ar não me falta sem ti, ele continua a entrar e a sair dos meus pulmões, ainda que seja diferente, mais pesado - o ar é sempre mais pesado onde tu não estás. Percebi que tu nunca, nunca vais ser só mais uma pessoa - vais ser sempre aquela pessoa, a minha pessoa, aquela com quem eu devia estar mas com quem algo falhou - e até hoje eu não sei bem o quê. Percebi que vou ter sempre saudades tuas, que vou sempre pensar em ti, e desisti de tentar que isso não aconteça. Percebi que ninguém tem de ser como tu para me cativar. E que posso ser (sou) feliz sem ti, ainda que me vá faltar para sempre aquele bocadinho que tu me levaste e que eu nem sei bem qual foi. E que, de vez em quando, ainda vai apetecer-me ter as mãos nas tuas e o rosto enterrado no teu peito e entregar-me ao teu abraço, e dizer-te que nunca deixei de te amar e que não me devolvas a alma porque ela foi feita para ti. Mas em vez disso, sorrio-te enquanto te digo "olá" e continuo a viver. Sem ti, agora sempre sem ti.

domingo, 9 de janeiro de 2011

Do you know that everytime you're near, everybody else seems far away?



Queria viver uma dessas histórias de contos de fadas contigo. Dessas em que o príncipe beija a princesa que está adormecida, ela acorda, vê-o, apaixona-se e são felizes para sempre. Mas na nossa história eu é que me apaixonei por ti, e tu continuas a dormir. E eu até já te beijei e tudo, mas não resultou como nas histórias de contos de fadas. Tu continuas a viver à tua maneira, sem te deixares apaixonar de uma maneira parva por mim. Sem que eu seja a primeira coisa no teu pensamento de manhã e a última no teu pensamento à noite, sem que eu te tire o apetite, sem que eu te faça largares a tua vida, irritantemente perfeita quando comparada com a confusão que é a minha, só para vires ter comigo porque precisas de me ver urgentemente, porque tens aquele sentimento de que, se não me vires já hoje, morres - aquele que eu tenho de vez em quando. Tu nunca precisas de me ver urgentemente, a tua vida continua irritantemente perfeita e tu nunca morres só porque não me vês. Mas eu morro, sabias? Eu morro, e depois renasço outra vez sempre que tu cravas os teus olhos de cor indefinida nos meus. E eu nem percebo porquê. Só sei que gostava mesmo de viver uma história contigo, diferente da que vivemos, porque nesta eu estou aqui no meu cavalo branco e já te beijei e tu nunca mais acordas. Eu salvei-te e tu nem deste por isso. Eu queria viver contigo uma história de conto de fadas.

sábado, 8 de janeiro de 2011

Open your eyes and see (me)

Às vezes acho que é isto. Eu estou aqui e tu pareces nem dar por isso, e nem imaginas tudo o que eu podia dar-te. E eu só queria que tu reparasses em mim, que largasses esse teu mundo perfeito e equilibrado e que entrasses um bocadinho nesta confusão que é o meu mundo. E assim talvez tu percebesses. Que me fazes sorrir mais do que qualquer outra coisa e que me fazes sonhar de uma maneira estúpida e que eu conto o tempo para te ver e que, até lá, cada segundo é uma tortura. E que eu fico sem jeito e parece que me esqueço de como ser eu quando tu estás por perto, esqueço-me do que dizer e de como respirar normalmente. Como é que tu não percebes? Como é que tu não me vês?

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

What am I gonna say, when you make me feel this way?

Porque no fundo é isto. Eu podia dedicar-me só a ti, mas depois o meu coração podia partir-se (outra vez, ou mesmo de vez), e eu ainda não sei se me apetece arriscar. Por isso, não sou só tua. Mas a verdade é que eu queria ter a tua atenção. A tua atenção toda, quero dizer. Como quando não há mais ninguém por perto e tu não consegues tirar os olhos dos meus e eu acho que vou perder as forças nas pernas só por causa disso. Queria que sonhasses tanto comigo como eu sonho contigo, fazer-te sorrir só por te lembrares de mim e que contasses os minutos para me ver, quase como eu faço. Eu conto os segundos para te ver. Quando eu entro, tento impedir que os meus olhos varram a sala à tua procura - e falho redondamente. Vasculho cada rosto num milésimo de segundo, até me aparecer o teu, e depois o meu estômago contorce-se, o ar fica rarefeito e eu sinto uma ligeira náusea enquanto me apresso a desviar o olhar e a seguir o meu caminho para que tu não me vejas vidrada em ti. Ou então tu não estás, e um misto de nervosismo e desapontamento invade-me naquele instante, e depois o meu olhar desliza constantemente para a porta, à espera do momento em que tu apareces. E, quando tu apareces, a ansiedade quase dá cabo de mim, enquanto espero que olhes para mim, que venhas cumprimentar-me, enquanto me pergunto o que irás dizer, com que sorriso irás brindar-me, ao mesmo tempo que estudo a minha postura para parecer tranquila e casual quando te disser "olá" e que conto os segundos que demoras a vir até ao pé de mim - e me pergunto por que motivo demoraste tanto tempo a fazê-lo. Depois tu vens, aproximas-te só o suficiente para me cumprimentares, eu consigo sentir o teu perfume e os meus joelhos tremem, voltas para o teu lugar sempre rápido demais e eu volto a tentar que pareça que o meu mundo inteiro não estremeceu naquele preciso momento, em que os teus olhos se cruzaram com os meus e a tua boca tocou na minha bochecha. E preciso de lembrar-me de como se respira. Pergunto-me quantas vezes irei ver-te ao longo da noite, deixo de ouvir o resto das pessoas à minha volta e começo a estudar minuciosamente as desculpas que posso inventar para me cruzar contigo "sem querer". E, nesse momento, constato o quanto me sinto feliz, porque sei que vou conseguir ter uns segundos contigo. E ridícula, por ficar tão feliz só por uns segundos contigo.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Happiness, more or less

Eu ainda tento conter-me nas palavras e não te digo que tive qualquer coisa parecida com saudades tuas. Porque saudade é uma palavra muito pesada, carrega consigo o amor, a dor, nostalgia, passado, recordações, lágrimas, sorrisos. Associo sempre "saudade" a coisas que não volto a ter. Mas os meus gestos denunciam que já sentia um bocadinho a tua falta, quando os meus dedos te roçam os pêlos da barba de cinco dias e se passeiam até à tua nuca e eu encosto o rosto ao teu pescoço para te aspirar o odor da pele. E eu já tenho a certeza que o meu coração começa a bater mais rápido quando te limitas a cravar o olhar no meu e ficas ali, a mão a deslizar pelo meu cabelo e o polegar a desenhar-me os contornos da boca, os lábios entreabertos num murmúrio - "Os teus olhos matam-me...". E eu quero dizer-te que não, que quem me mata és tu e eu acho que tu nem sonhas, que me paralisas e me enches o estômago de borboletas e de receios e que moves o meu Mundo como nunca mais tinha acontecido. E que é bom.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

E eu danço à chuva e penso em ti.

Oh, a vida às vezes é chata, mas depois às vezes é fantástica. Às vezes moem-nos o coração, às vezes perdemos a fé e pensamos "esquece lá isso, nunca vou encontrar uma pessoa que volte a fazer-me sentir aquilo", e depois às vezes aparece alguém como tu e nós pensamos "wow!". E temos medo, sim. Medo de já não sermos capazes, ou medo de estarmos assim a peito aberto. Porque ainda não te abri o meu peito mas planeio fazê-lo um dia, mas e se depois eu não estou no teu? Eu gostava que fosses tu. Estou cansada de procurar, e de inícios (ainda mais) complicados (do que este). O que é certo é que tu me fazes andar à chuva e eu nem quero saber que ela me ensope os ténis novos, ou se pensam que sou tolinha por andar na rua a rir. Fazes ideia? Da quantidade de vezes que me têm perguntado "mas tu ris-te sozinha...?" e que eu tenho respondido "por acaso rio-me sim, e também falo sozinha muitas vezes!". O que eles não sabem é que eu rio para ti e falo contigo na minha cabeça. E digo-te todas as coisas que um dia ainda espero dizer-te, e respondo-te a todas as coisas que um dia ainda espero ouvir de ti. E este é o primeiro texto que te escrevo, e eu espero ainda vir a escrever-te muitos. Porque a vida às vezes é uma chata, mas depois às vezes é fantástica e mete-nos no caminho pessoas como tu.

P.S.: Caso não tenham reparado, o Tardes de Chuva e Chocolate adoptou o espírito natalício. Depois do Dia de Reis há-de voltar ao normal.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Letter to the person that gave you your favourite memory.

Still a little bit of your taste in my mouth
Still a little bit of you laced with my doubt
It's still a little hard to say what's going on...
*
De vez em quando, ainda me permito uns minutos para pensar em nós. No fundo tu acompanhas-me muitas vezes, mas és mais como uma voz no fundo da minha alma, como uma mão que me afaga o coração e não o deixa arrefecer, em vez de me correres no pensamento. Mas de vez em quando, muito de vez em quando, ainda me apetece correr para ti e levar-te comigo, parar o carro à tua porta, buzinar e gritar-te "entra!", tu entravas a perguntar onde íamos e eu dizia-te apenas "vamos para onde éramos felizes", íamos para o nosso sítio e seria tudo como se nunca se tivesse criado este abismo entre nós. Mas isto é só de vez em quando. Porque eu passo a grande maioria do tempo na vida real, aquela em que existe o abismo e tu estás do outro lado. Aquela em que o mundo continua a girar, embora eu ache que, agora, ele gira no sentido oposto. Aquela em que as coisas nunca se encaixam porque me faltas tu, mas que continua a correr - aliás, que corre como nunca. Por isso, de vez em quando, permito-me pensar em nós. Porque a verdade é que, mesmo com o abismo, tu deste-me as melhores recordações que eu tenho. Algumas delas são também as mais dolorosas mas, acima de tudo, são as melhores. Ainda há um bocadinho do teu sorriso que vejo quando fecho os olhos, ainda sinto um bocadinho os teus lábios contra aos meus, ainda ouço um bocadinho a tua voz no meu ouvido e ainda consigo perder-me um bocadinho no conforto em que o teu abraço me envolvia, ainda nos vejo um bocadinho naqueles sítios que eram nossos, as mãos dadas e os rostos colados como se o Mundo fosse nosso. E eu só posso aspirar a um dia voltar a amar assim(embora eu ache impossível que isso aconteça), e ter com alguém uma coisa parecida com o que nós tivemos. E aí sim, eu serei a pessoa mais feliz do Mundo.

#LETTER TO THE PERSON THAT GAVE YOUR FAVOURITE MEMORY

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Hearts are broken everyday


"Todos temos em algum momento um coração partido. Rasgaram-nos a pele sem a mínima contenção pelos estragos que pudessem ser causados. Foderam-nos a razão, a emoção e tudo o que de mais veio à mão. Sem dó nem piedade, deixaram-nos na merda. Somos infelizes naqueles momentos que se seguem. Incapazes de sorrir ou tolerar a companhia seja de quem for. Só nos suportamos a nós, e mesmo assim a custo. Vemos o nosso reflexo no espelho e o que este nos retribui é uma figura pálida, triste e nua que nos olha com aqueles olhos que já nada sentem.
Como é possível que alguém nos mate e mesmo assim nos deixe com vida, com o único propósito de assistirmos a esta merda de existência? Começamos a questionar o que é o amor, o que é a paixão, começamos a racionalizar o porquê, o quando e o como. Não vale a pena, é o que é, foi o que foi. E o que resulta é isto. O nosso reflexo no espelho. Uma figura escanzelada, desprovida de compaixão própria. Mera existência que agora somos.
Achamos que nunca vai acabar. Somos a personificação do sofrimento. Até a um dia. Um dia olhamos para o espelho e vemos um sorriso. Questionamos, o que raio está aquilo ali a fazer. Intrigados sorrimos de novo só para o ver. É genuíno. Temos prazer no sorriso. No dia seguinte descobrimos a razão. Estamos livres. Somos nós novamente. Não há mais dor. Acabou. Não morremos.
Até ao dia. Em que nos tocam e ficamos a olhar para aquela pele que toca na nossa e nos sentimos a sorrir novamente. Merda, e agora? Vamos passar por tudo novamente? Mas agora é diferente, não sentimos dor, mas um sufoco. Questionamos e agimos como parvos que perderam o jeito para andar. Tropeçamos em nós próprios e tentámos a custo aguentarmo-nos. Onde havia dor há agora parvoíce. Mas sentimo-nos vivos. O nosso reflexo ganha cor, ganha existência, sorri-nos de volta."


Tirado daqui. Adorei. Sinto-me parva... cheia de parvoíce.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Be careful of my heart



Eu já me atirei de um avião. Já fiz mergulho a vários metros de profundidade depois de me terem dito "Sim aqui há tubarões de vez em quando... mas não te preocupes que eles só vêm no Inverno". Não tenho medo de ratos nem de cobras nem da grande (grandeee) maioria dos bichos. Não tenho medo de morrer, simplesmente não tenho. Ou seja, não tenho medo das coisas que a maioria das pessoas teme. Pensava eu. Até me lembrar de outra coisa. Lembrei-me disto hoje, ocorreu-me sob a forma de um pensamento: "Não há nada mais aterrador do que entregarmos o nosso coração." A ideia de o depositarmos nas mãos de alguém é assustadora. Ele fica ali, desprotegido, fora da caixa que é o nosso peito e que sempre o vai protegendo. À mercê da vontade do outro. E isto é simplesmente aterrador. Por muito bonitas que sejam as teorias de que o medo não deve impedir-nos de viver, a ideia de deixarmos o nosso coração, o nosso pobre, remendado e dorido coração de novo nas mãos de alguém é paralisante. Sabemos lá o que aquela pessoa vai fazer com ele? Sabemos lá se não vai deixá-lo cair e pisá-lo sem querer - ou, pior, atirá-lo ao chão e passar-lhe por cima porque nem se preocupou em tratar dele? Ou, pior ainda, muito pior, se a pessoa o devolve porque já não o quer? E depois, o que fazemos com um coração devolvido, usado e encolhido de tristeza e vergonha pela rejeição, destituído de orgulho e do carinho do outro? Cheio de amor para dar, mas um amor que se parece mais com lâminas afiadas a trespassá-lo do que com o calor que o amor deve causar no coração? Pensar nisto de manhã quase me deixou deprimida. Quase. Porque, depois, lembrei-me do resto. É que entregar o nosso coração tem tanto de assustador como de inevitável. Vamos sempre amar. Por muitas voltas que demos, por muito que tentemos evitar, eventualmente aparece alguém que nos pega de novo no coração. Com as duas mãos juntas em concha, e nós deixamos porque não conseguimos não deixar e porque sim, a frase cliché é verdade, o tempo cura e o medo não pode (mesmo) impedir-nos de viver. Pelo menos desta vez sabemos que, se o nosso coração cair de novo, ele vai curar-se. Porque já se curou antes. E entregamos o nosso coração.
E vale a pena.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Adoro...

... apanhar pessoas a tirar macacos do nariz. Epá, o que eu me rio sozinha!

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Letter to the person you miss the most.

Like the deserts miss the rain.

Até não te ter, eu só conhecia aquelas saudades que temos de coisas que não vão voltar, de coisas que nós não esperamos ter de volta porque isso é impossível. Como aquelas brincadeiras de infância, ou como os nossos avós que já morreram, ou como a nossa professora preferida da escola primária. Esse tipo de saudade boa, porque vem sempre acompanhado de excelentes recordações de coisas que, apesar de terem ficado para trás, nos trazem sempre um sorriso, uma sensação de conforto porque as tivemos. Depois de ti, conheci a outra saudade. Aquela que temos de coisas que não vão voltar, mas que nós desejamos ardentemente que voltem. De coisas que estão no passado mas que na realidade não ficaram para trás, porque as trazemos ainda connosco a cada dia, de coisas que não voltam, não porque não podem, mas porque um de nós assim o quis e hoje é tarde demais para sermos o que fomos. Porque se essas coisas voltassem agora, coisas como as nossas mãos dadas ou a minha cabeça a descansar no teu peito de manhã, seriam só uma milionésima parte do que nós já fomos, e nós nunca iríamos ficar satisfeitos com isso. É como ter o Mundo num dia e depois ficar sem ele e darem-nos meia dúzia de países e ser suposto nós ficarmos contentes com isso - como, se já tivemos o Mundo? Como é que nós íamos ficar contentes com um bocadinho de nós, quando ambos sabemos tudo o que já fomos? Para isso, eu guardo a saudade. Fico com ela, assim, como tenho ficado, sempre no bolso ou no lado esquerdo do peito onde mora o coração que já foi só teu. Esta saudade, aquela das coisas que não voltam só porque as voltas que o mundo dá nos afastaram do que fomos, a saudade com que algumas pessoas aprendem a viver todos os dias e que eu acho que pode fazer parte de nós para sempre. A saudade a sério, a que eu tenho de ti.


#15 LETTER TO THE PERSON YOU MISS THE MOST

domingo, 21 de novembro de 2010

Há uma coisa que me irrita solenemente.

Olhar para o menu de um restaurante e ver a palavra "costoletas". Costoletas?? Isso vem de onde, das costolas?? É alguma parte nova do corpo que eu desconheço? Costeletas, pessoas, c-o-s-t-e-l-e-t-a-s. Das costelas. É simples. Chiça...

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Em modo "Não quero saber"

Não quero saber da música foleira que dá na rádio nem da que os meus cds passam porque, na realidade, não estou a ouvi-la. Não quero saber do quanto canto mal porque eu canto na mesma, alto, e também danço, atrás do volante. Não quero saber das minhas figuras quando tenho os phones nos ouvidos e dou por mim já a cantar em voz alta no meio da sala da musculação do ginásio, e nem me importo que me achem meio maluquinha. Não quero saber se chove ou se faz frio ou sol ou vento ou o que for, porque isso não me altera minimamente o estado de espírito. Não quero saber se já comi um milka e um kit kat hoje, porque engordar é a última coisa que me preocupa neste momento - na verdade, nada me preocupa neste momento. Não quero saber se tenho um trabalho que é uma seca descomunal, porque se começar a divagar em pensamento (e tanto que eu faço isso ultimamente), as horas passam num instante. Não quero saber se só durmo duas horas, se for pelos motivos certos vale totalmente a pena. E nem quero saber dos contornos da tua história, porque às vezes a ignorância é mesmo uma benção, e eu, neste momento, sou feliz a chafurdar na minha ignorância.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Odeio, odeio, odeio....

... sonhar contigo.
E depois acordar e perceber que tu não estás ali.