Dear Cupid, next time hit both.









sexta-feira, 27 de agosto de 2010

It was so long ago... but I still got the blues for you.



Ouço esta música vezes sem conta - cliquei no repeat. É o dia de hoje... 27 de Agosto. Há cinco anos atrás, estávamos na praia, com outro casal nosso amigo. Apenas a umas horas de nos tornarmos uma parte intrínseca um do outro, apenas a umas horas de começarmos a nossa história. Tinhas feito de propósito, contaste-me mais tarde, e eu ri-me. Tinhas feito de propósito para ir um casal e nós os dois, como se fôssemos já um casal também. Eu ri-me, e hoje sinto a falta de ter alguém que faça de propósito para ser um casal comigo, sem que eu sequer me aperceba, de alguém que me cative assim, aos poucos. Já tinhas feito o mesmo no cinema, depois ali. Resultou... Dali a umas horas, tu irias perguntar-me em que estava eu a pensar, eu iria responder e perguntar-te o mesmo, e tu irias mostrar-me em vez de mo dizeres. E eu iria sentir os teus lábios pela primeira vez, os lábios a que nenhuns outros se igualaram até hoje, até este preciso momento, em que te escrevo pela milionésima vez. Eu só queria tudo como antes. Queria aquelas certezas todas que tinha quando me olhavas, queria que não me deixasses duvidar. Queria voltar atrás e impedir-nos de dizer todas aquelas palavras com que nos magoámos, atirar-nos à cara o que fomos e aquilo em que estávamos prestes a tornar-nos, queria que tu não mudasses e que eu não tivesse mudado também. Queria continuar a ser aquela idiota chapada completamente apaixonada por ti, que sentia borboletas na barriga quando te via, mesmo que te visse todos os dias. Queria que me tirasses os pés do chão com um gesto qualquer e me fizesses apaixonar-me por ti outra vez, que me fizesses ver que as coisas más não superam, de forma nenhuma, as coisas boas que tivemos. E eu podia sair daqui, sim, podia parar de ler o que te escrevi, de ver as nossas fotografias, de ler as mensagens que ainda não tive coragem de apagar e podia, acima de tudo, tirar esta música do repeat. Mas hoje era o nosso dia... foram tantos anos a dar-te os parabéns neste dia, a celebrá-lo contigo, e eu sei que tu também te lembras. Por isso, hoje fico triste. Amanhã logo volto a fingir. Que está tudo bem, que sei o que quero, que só faço o que é melhor para mim, que não te sinto a falta, que te quero feliz mesmo longe e com outra pessoa. Minto, sabias? Eu não sei o que quero e muito menos o que é melhor para mim, eu sinto-te a falta todos os dias e eu quero-te comigo. Mesmo que ficasses miserável, e eu também, eu quero lá saber - eu queria-te só para mim. Não te quero em mais ninguém, de mais ninguém, não quero mais ninguém nos teus braços, porque tu prometeste que eles seriam só meus. E eu bem sei que quebrei a promessa de ficar contigo para sempre, mas eu continuo aqui, e só queria que soubesses. Não quero dizer-te, quero que tu saibas. Que o leias nos meus olhos quando eles se fixam nos teus, que o percebas na maneira como te pouso a mão no ombro, que o percebas nos asteriscos das sms que te envio, eu sei lá. Quero uma data de coisas impossíveis e irrealistas, e hoje nem me importo com isso, dou-me o direito de querer isso tudo, porque hoje era o nosso dia. Amanhã logo finjo, logo tenho a minha sanidade mental de volta. Por hoje fico aqui, a ver fotografias, a ler mensagens e com esta música no repeat. A desejar coisas estúpidas, como voltar atrás no tempo ou que tu me apareças com um ramo de rosas e me digas "Parabéns, princesa". Era o suficiente...

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Did I say that I need you? If I didn't I'm a fool, you see... no one knows this more than me.

Isto foi o que eu te disse:
- Então até logo.


Isto é o que eu gostava de ter-te dito:
- Gostei de estar contigo. Já tinha saudades do meu melhor amigo... Ultimamente não me pareces tu. E tu fazes-me falta... mas o tu que costumavas ser, não o que tens sido... Fazes-me falta. És muito importante para mim, e eu sufoco só de imaginar a minha vida sem ti, ou sem aquilo que tu eras, como ela tem sido ultimamente. Só queria que soubesses...
E pronto. Era só isto.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Still I can't escape the ghost of you...

Estou na nossa praia outra vez. Sem ti, pela primeira vez sem ti. Caminho em direcção ao nosso sítio, com passos decididos, sem tirar os olhos do chão. Sigo sempre à beira-mar, pé ante pé, sem pensar muito no que estou prestes a fazer. Evito os olhares alheios, ignoro os virares de cabeça, os comentários a que costumo responder - estou a caminhar em direcção a nós, ao nosso passado, ao ponto em que tudo começou, e isso faz tudo o resto parecer insignificante. Enquanto ando, penso que fiz bem em esperar até poder ir ali sozinha; já todos tinham ido caminhar e passado ali, mas eu não pude fazê-lo. Não podia ignorá-lo, passar por ali como se não fosse nada de especial, mas também não podia partilhar com outras pessoas aquele pedaço de areia que foi só nosso num fim de tarde como este, há cinco verões atrás. À medida que me aproximo, sinto o coração a bater mais rápido e a garganta a estreitar-se, numa espécie de aviso, da parte do meu coração, de que se avizinha algo realmente doloroso. Quando percebo que cheguei, paro e levanto os olhos antes que perca a coragem para fazê-lo. Continua tudo igual, tudo como naquele Verão. Por momentos vejo-te ali, encostado à muralha, e entro em pânico ao pensar que estás mesmo ali, que partilhaste aquele sítio com outra pessoa. Mas depois percebo que não és tu. Não consigo fixar o olhar na areia mais do que alguns segundos, não consigo percorrer ao pormenor o trajecto que fizemos depois de mãos dadas naquele dia. Sou ferozmente assolada por momentos, por recordações esmagadoras. Sinto-me como se me tivessem, literalmente, arrrancado o coração do peito. Viro-me de costas para as nossas recordações, de frente para o mar azul, fecho os olhos e respiro fundo. No total, passaram apenas uns dois minutos desde que estaquei ali, mas eu decido que já chega e dou início ao caminho de volta, já com o queixo a tremer. Percebo que, por algum motivo, precisava de fazer aquilo. Estive ali, onde tudo começou, onde pela primeira vez te vi com um semblante sério e te ouvi dizeres-me "És linda, sabias?" enquanto me acariciavas o rosto e me seguravas nos teus braços. E estou inteira. Doeu como tudo, mas ainda estou inteira. Isso fez-me ter duas certezas. Talvez um dia voltemos a partilhar momentos como aquele, ali ou noutros sítios, talvez um dia tenha sítios novos com outras pessoas e aquele já só me faça sorrir, ou talvez nunca consiga realmente voltar ali sem sentir o coração despedaçar-se enquanto penso em ti, mas ao menos já sei que sobrevivo. A ti, a tanto de nós. A outra certeza? É simples, e gostava que soubesses... Eu ainda te amo.

domingo, 15 de agosto de 2010

És presença constante nas folhas do meu caderno.

Jogo o melhor que consigo com os dados que tenho. É inexorável a tua ausência, inelutável a tua constância, inconstante a tua permanência no pouco que me resta de nós. Marcaste-me cada segundo de cada dia, de cada ano, e sinto-te a falta como se de água se tratasse. Lembro-me de ti, ou melhor, não te esqueço, manténs-te em cada nota da desarmonia que sou eu. Fazes-me falta. Às mãos, aos traços, às noites. Fazes-me falta. E as cartas que te escrevi, meu amor, marcaram-me os impasses nas instâncias de te rever. És presença constante nas folhas do meu caderno. Escrevo-te, letra a letra, passeias-me pelos dedos até caíres nas linhas onde pouso a caneta. É-me imprescindível olhar em redor, olhar as paredes, sentir-te sem te ver. Este quarto tem-te por todos os lados, o suficiente para quase te respirar a ausência. Vou jogando o melhor que consigo com as cartas que tenho. Vou dizendo o teu nome... És presença constante nas folhas do meu caderno.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Porque....

Porque estamos sempre tão longe e tão perto. Porque tu dás um passo em frente e a seguir fazes-me dar dois atrás. Porque quando eu acho que sim, tu fazes qualquer coisa que me faz ter a certeza que não, e quando eu tenho a certeza que não, tu fazes qualquer coisa que me faz achar que sim. Porque sem querer me dás certezas que depois deitas por terra com um gesto estúpido o suficiente para que nem te apercebas dele. Porque eu estou (sou) uma confusão. Porque tu tornas tudo tão simples e tão complicado, tão cor-de-rosa e tão cinzento. Porque eu continuo à espera daquele gesto que ia mudar tudo e que nunca vem. Porque tu já não és tu, eu já não sou eu e nós nunca mais fomos (nem vamos ser?) nós.

É por isto.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Once I ran to you... now I run from you

Há vezes em que me apetece tanto fugir... De ti, de nós, de tudo o que te traz até mim. Nem que seja só por uns minutos. Ir para um sítio meu, só meu, em que tu não estejas. Mas isso é impossível... Todos os meus sítios preferidos foram descobertos contigo, ou então partilhados contigo, e por isso eles estão impregnados de recordações tuas. Neles, é impossível não te pensar, não te sentir, não nos rever ali, há alguns meses ou mesmo anos atrás, juntos e felizes, tão felizes. Por isso, quando quero tirar-te um bocadinho de mim, corro. Como se estivesse a fugir. Corro no mesmo sítio onde corria contigo, no mesmo sítio onde corríamos juntos e onde rimos tantas vezes, onde me fizeste andar de bicicleta com a certeza de que, dessa vez, eu ia gostar - odiei, claro, como já sabia que odiava, mas valeu a pena pelo momento partilhado contigo. Corro no mesmo calçadão, com a mesma paisagem, mas agora sozinha. Concentro-me apenas no som compacto dos meus ténis a baterem no solo, e na música, sempre no máximo, ao ponto de me ferir os ouvidos, para que não consiga sequer ouvir os meus próprios pensamentos. Corro, de olhos fixos no chão ou no horizonte, com a mente vazia de imagens, de cheiros, de vozes, de ti - a maior parte das vezes, vazia de ti. Às vezes, porém, é mais difícil tirar-te de mim, tirar o teu rosto da minha mente, tirar a sensação dos teus dedos da minha pele, libertar-me da recordação do meu corpo envolvido nos teus braços. Da última vez, por causa disso, quase corri até à exaustão. As minhas pernas fraquejavam, já tremiam, mas eu continuava a ordenar-lhes mentalmente que corressem, enquanto os White Stripes me berravam aos ouvidos "...and now I'm talking to myself out loud because I can't forget....". Não conseguia esquecer (-te), tão simples quanto isso. E precisava de outras sensações que não aquelas provocadas pelas recordações de nós, do teu toque na minha pele, da tua voz no meu ouvido, nem que isso implicasse uma dor excruciante nas pernas e no coração que já avisava não aguentar mais. Parei quando as minhas pernas atingiram o limite e me atiraram ao chão. Caí de joelhos e apoiei as mãos no chão, sem forças, a respirar com dificuldade. O ar passava-me na garganta a uma velocidade estonteante, a fazer um barulho estranho, ora grave, ora agudo, conforme eu expirava ou inspirava. O coração galopava, a querer saltar-me do peito, o sangue pulsava-me com força nas veias do pescoço e a cabeça latejava. Ocorreu-me que, se alguém me visse assim, pensaria que estava a ter um ataque qualquer e chamaria uma ambulância. Com esforço, levantei a cabeça e olhei em volta, mas não havia ninguém. Era de noite, estava frio, e ninguém vai para ali correr àquela hora. Assentei um pé no chão e uma mão no joelho, numa tentativa de me levantar, mas assim que comecei a fazer força senti uma tontura que me atirou de novo ao chão. Voltei a ficar de joelhos e baixei a cabeça até pousar a testa no chão, esforçando-me por acalmar a respiração. "Ao menos já não te sinto em mim", pensei, não naquele momento, não por mais uns minutos. Sentia as dores, as pernas a tremer, o ar rarefeito, o coração a palpitar brutalmente, as gotas de suor a descerem-me pela cabeça, até à testa, de onde pingavam para o chão, mas nada de ti, nada do teu abraço quente, nada do teu sorriso. Quando já conseguia respirar sem ruído, voltei a tentar levantar-me devagar. Já de pé, olhei para o relógio e constatei que corri cerca de uma hora, mais do que o normal. Olhei para trás, estimando que corri perto de dez quilómetros. Cambaleei até ao muro mais próximo, para fazer alguns alongamentos, embora soubesse que no dia seguinte mal conseguiria mexer as pernas. No fundo, esperava estar cansada o suficiente para, pelo menos naquela noite, não voltar a sentir-te em mim. Porque já sabia que, no dia seguinte, tu ias estar em mim outra vez. Como sempre, como estás sempre que eu acordo...

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

I feel like I'm falling for you... but I'm scared to let go.

Escrito ao som desta música. Ouçam enquanto lêem... e agora sim, bom fim-de-semana*



Às vezes penso na maneira como nunca mais consegui entregar-me a ninguém. É como se uma parte de mim nunca saísse, a parte que só te mostrava a ti. Se a mostrasse a mais alguém, seria como se estivesse a trair-te, a trair o que nós tivemos. De qualquer forma, não é como se eu pudesse controlá-la... ela simplesmente não sai. Só quando estou contigo, e aí é tão simples que nem tenho de tentar mostrá-la. Porque essa parte é só para quem mora no meu coração. E às vezes tenho a certeza de que simplesmente nunca vou poder abrir o meu coração assim a mais ninguém, porque tu estás nele. Tu vais estar sempre nele, vais sempre morar neste canto do meu peito onde, por enquanto, não cabe mais ninguém. Onde eu acho que nunca vai caber mais ninguém. Tu moras em mim, habitas cada centímetro da minha pele. Passou quase um ano e tu ainda estás tanto em mim, ainda me aqueces tanto o coração, ainda me embargas a voz com a tua. E eu tenho tanto medo... e se eu te perco? Se eu não me apercebo a tempo do quanto te preciso? Se eu não te digo a tempo, se tu vais embora de vez? E se eu estou errada e te magoo outra vez? E se eu ainda estou apaixonada por ti? E se outra pessoa ocupa o meu lugar? Eu ainda te quero, eu ainda te quero tanto... sabias? Que ainda povoas os meus sonhos, que ainda me ocupas os dias, que é o teu nome que ouço e o teu rosto que vejo quando observo a chuva através duma janela? Queria tanto dizer-te, poder apenas dizer-te que ainda me afagas o coração com o teu sorriso, que nunca te esqueci, que não há como esquecer-te. E que só espero um gesto teu para esquecer tudo o resto, para me atirar para os teus braços e me abandonar ao amor imenso que ainda trago no peito. Queria voltar a cantar-te daquelas canções, lembras-te? Aquelas que nos levavam de mãos dadas a sítios só nossos... aquelas que nos tornaram como nós fomos. Se existirem almas gémeas, tu és a minha, disso eu nunca duvidei. Pelo menos és uma delas. Tenho contigo uma ligação estranha desde o início, que nunca tive com mais ninguém. Lembras-te das mensagens ao mesmo tempo, de falarmos ao mesmo tempo, de pensarmos nas mesmas coisas ao mesmo tempo? Às vezes nem precisamos de falar... às vezes dá uma música e os nossos olhares cruzam-se e um misto de saudade, desejo e tristeza atravessa-nos a ambos o olhar, que em seguida desviamos para o chão. Bolas, eu ainda te amo tanto. Não passa, pois não? Nunca vai passar. Sei-o pela maneira como a tua mão aperta suavemente a minha cintura quando me cumprimentas, pela maneira como os teus lábios pousam um beijo na minha bochecha, pelo teu olhar a atravessar o meu, sempre a ler-me os pensamentos, sempre a saber que ainda te quero. Nunca passa, sei-o agora melhor do que nunca. Passou quase um ano... e isto não passa. Abranda, às vezes esconde-se, mas nunca passa. Afinal... como se faz passar o amor?

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Did I say that I want you?

Há tantas coisas que ainda não deixaram de acontecer. Eu ainda sonho contigo, sabias? Ainda sonho acordada e imagino-nos juntos, num final feliz qualquer que não teve oportunidade de chegar. Ainda sonho com o nosso futuro... dizem-nos para não vivermos no passado, e eu não vivo, vivo antes algures entre um presente sem ti e um futuro que crio enquanto sonho de olhos abertos. Eu ainda nos imagino juntos, na nossa casa, na nossa cozinha espaçosa e simples, sem televisão, como sempre dissemos que seria, porque não queríamos ser um daqueles casais que não fala sobre o seu dia à hora da refeição. Vejo-me encostada à bancada, a cozinhar, a ensinar-te a fazer mais um prato, e tu atrás de mim, com os braços à minha volta, sempre atento e carinhoso, sempre a tua voz no meu ouvido a chamar-me princesa (a única que alguma vez admiti chamar-me alguma coisa sequer parecida com isso), sempre os teus lábios a deixarem beijos na minha bochecha e nos meus ombros. O rádio teria de estar ligado e eu ia dançar enquanto cozinhava, e tu rias-te e alinhavas de vez em quando, arriscavas um ou outro passo de dança desengonçado, pegavas em mim e balançávamos ao som da música, eu beijava-te e virava-me de novo para o fogão. Depois iríamos comer enquanto conversávamos sobre o nosso dia, ou enquanto ouvíamos o silêncio, porque eu sinto a falta disso, porque nunca tive silêncios tão confortáveis como os que tinha contigo. Mas isto é só enquanto eu sonho, porque depois acordo e as nossas diferenças estão todas lá, marcadas, delineadas, gritantes, e eu danço enquanto cozinho, mas sozinha. Às vezes finjo que não as vejo, às vezes só me apetece enroscar-me em ti e chorar o tempo perdido, tenho a certeza de que irias confortar-me como antes. E outras vezes... outras vezes fico aqui, com um ou outro soluço preso na garganta mas de cabeça erguida, a acenar-te com todas as certezas que (já não sei se) tenho, a fugir, a fugir que nem louca, a correr sem sair do sítio porque, no fundo, tu não me deixas ir a lado nenhum... Ou talvez no fundo eu não queira estar em mais lado nenhum... E tu também não.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Haverá por aí uma alminha caridosa...

... que me arranje uma imagem decente ali para cima? Qualquer coisa a ver com chuva... por favor? Já estou deprimida o suficiente por me ter visto obrigada a mudar o blog todo... e agora tenho de levar com aquela imagenzinha também?

Acho que esta mistura de cores está a deixar-me deprimida... quero o meu azul e o meu castanho de volta... sniff....

terça-feira, 20 de julho de 2010

Já não se ama como antes

Já não se ama como antes. Que é feito do amor? Do amor a sério, do amor puro, do amor desmesurado, louco, quase palpável. O tipo de amor que nos faz querer saltar de pontes, dar o teu nome a uma rua, comprar-nos passagens de avião para o ponto mais distante do Mundo, ou mesmo para a Lua. Não, já ninguém ama assim. Hoje ama-se na mornidão, no medo. Porque entretanto se descobriu que amar dói e que é melhor andar em pezinhos de lã. Ama-se à superfície, sem que o amor nos chegue ao fundo do coração, sem que nos corra nas veias, sem que nos sufoque. Que é feito do amor? O amor absolutamente eterno, que não nos deixa duvidar, que nos faz saber a morte certa aquando da ausência do outro, que nos faz correr quilómetros sem parar só para chegar mais rápido. O amor que nos toma por inteiros, nos queima debaixo da pele, nos convence da absoluta necessidade do outro corpo, dos outros lábios, da outra pele. O amor com certezas, com futuros, sem ausências. O amor que nos faz largar tudo e lutar até à última réstia de força. E não vês que era só assim que eu queria que me amasses? Eu dar-te-ia o Mundo, se pudesse. Se isso te fizesse saberes o meu amor, eu dar-te-ia o Mundo. Mas não será já tarde demais para nós? Se tu nem saltas de pontes, se não me arrebatas com dois bilhetes de avião, se, vendo bem, não largaste tudo nem deste o meu nome a uma rua... Eu? Eu dar-te-ia o Mundo. Não vês?

segunda-feira, 12 de julho de 2010

There's no getting over.

Adormeceste ao meu lado. Eu fiquei a observar-te enquanto dormias, o rosto sereno e descontraído, quase imóvel, o leve balançar que a respiração te conferia ao corpo. Naquele momento, lembrei-me de todos os pedaços de tempo que tinha passado a decorar-te o rosto enquanto dormias, a admirar-te a perfeição dos traços, a cor da pele, a suavidade dos lábios - tempo em que eu ainda tinha a certeza de que não precisava de mais nada, a certeza de que, se pudesse acordar assim todos os dias da minha vida, a olhar o teu rosto tranquilo, seria feliz. Naquele momento, perguntei-me se não seria ainda capaz de o fazer, se ter-te assim não seria suficiente. Não se poderia viver daquilo? Não é suposto o amor ser suficiente? Eu sinto a tua falta todos os dias. Eu sempre soube que sempre sentiria a tua falta, mas não nesta ânsia de te querer, mesmo sabendo que não é certo. Ainda tenho muitas saudades tuas, às vezes parece que cada vez tenho mais saudades tuas, ainda que me pareça sempre que me é impossível sentir mais a tua falta. Tenho saudades das pequenas coisas, das grandes coisas, de todas as coisas. Dos passeios de mãos dadas, da nossas férias sempre em sítios novos, dos planos para um futuro a dois com cães que não poderiam sair da cozinha porque tu não os querias na nossa cama, dos gelados partilhados, do calor dos nossos corpos, dos teus beijos, dos nomes pirosos que nunca mais deixei ninguém chamar-me, do teu (sor)riso, das nossas coscuvilhices, dos jogos infantis, dos filmes que víamos abraçados, de me ofereceres flores, de te jurar amor eterno (não voltarei a fazê-lo), de acordar ao teu lado, de adormecer ao teu lado, de.... de tudo. Tudo. Eu mantenho-me como sou, teimosa, quadrada e obtusa, sem permitir sequer que me limem as arestas, determinada a perseguir a minha felicidade, a cumprir os meus objectivos, mas a verdade é que continuo aqui, à espera que tu faças um gesto qualquer daqueles que só se vêem nos filmes lamechas que me faça atirar tudo às urtigas e correr para ti. Disso, ou de ter um insight qualquer, como acontece nos filmes e nas séries, em que o protagonista, algures a meio de uma frase qualquer, se cala e arregala muito os olhos enquanto tem um flash que lhe permite ver que afinal foi uma estupidez ter fugido à pessoa amada e que só quer estar com ela para sempre. Eu continuo à espera de um desses momentos, em que percebo que tu és tudo o que preciso para ser feliz e vou a correr ter contigo e, mesmo eu estando despenteada, suada e ofegante, tu não vais resistir ao meu beijo e vais dizer-me qualquer coisa como "Esperei por ti este tempo todo... eu sabia que voltavas, e eu nunca quis amar mais ninguém.". Mas este momento nunca vem, só a saudade, e com isso eu acho que posso viver. Há-de passar. Tem de passar. Não é?

sábado, 10 de julho de 2010

Este blog anda deplorável

E pronto, continuo sem tempo, e passei só para dizer que amanhã vou de novo para o Alive, mas desta vez não é trabalhar, é mesmo dar uso à minha pulseirinha de staff para ver os grandes Pearl Jam. Ah e diz que apareci no telejornal da SIC, diz que sim, que me fizeram umas perguntinhas sobre o trabalho que estava a fazer lá e que apareci para lá a falar... Lá se foram os meus 15 minutos de fama. Beijinhos e até quando eu voltar a ter vida social, sim? Espero que seja em breve.....

quinta-feira, 8 de julho de 2010

É só para dizer...

...que não tenho tido tempo para me coçar e que hoje vou trabalhar para o Optimus Alive. Podem sempre tentar descobrir a menina de olhos verdes e irem lá dar-lhe um beijinho :P eu sei que trabalha muita gente no Alive. Mas tinha piada se me descobrissem lá, ou não tinha? ;)

domingo, 27 de junho de 2010

Lágrimas e café.


"How can I feel I'm standing strong,
Yet feel the air beneath my feet?
How can happiness feel so wrong,
How can misery feel so sweet?
How can you let me watch you sleep
Then break my dreams the way you do?
How come I have got in so deep,
Why did I fall in love with you?
This is the closest thing to crazy I have ever been...
(...)"


Começo o meu dia com lágrimas e café. Sento-me à mesma mesa do pequeno-almoço, encolhida, com a cabeça enfiada entre os ombros, as mãos a rodearem a caneca do café, numa tentativa de aquecer o coração. Não resulta. O vazio que lhe deixaste continua lá, cada vez mais fechado em teu redor, cada vez menos aberto a quem pudesse vir salvá-lo, frio, frio, frio. Cada golo do café que sorvo só me traz mais as nossas manhãs de abraços e sorrisos e o nó que tenho na garganta estreita-se. A minha garganta estreita-se e eu tenho de obrigar o ar a entrar e a sair, o que acontece agora em pequenos e silenciosos soluços. Levo a mão ao rosto e confirmo que estou a chorar outra vez. Várias gotas grossas rolam-me pelas bochechas e acabam, invariavelmente, nas torradas que tenho à frente. É sempre assim, desde que não estás. Lágrimas, café e torradas ensopadas. Quem me dera não saber chorar por ti.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

How can you tell me not to love... when there is you?

Nem sei por onde começar a abrir-te o coração mais uma vez. É que eu não te quero longe de mim. Não te quero longe, mas não sei não te amar isto tudo. O que implica estar numa luta constante comigo própria, porque preciso desesperadamente de ti mas, teimosa como sou, não quero ver-te, porque não posso habituar-me a ter-te lá sempre que me sinto só. Então, fujo-te. Arranjo que fazer, arranjo mil formas de me alhear de ti. Ocupo-me e ocupo o meu coração com outras pessoas - que, na verdade, nunca me ocupam o coração. Esse é teu. Desde aquele dia, desde aquele momento cliché, na praia, ao pôr-do-sol, que o meu coração te pertence. Lembro-me de como me arrebataste os dias. Hoje, eles ainda te pertencem, sabias? Estás sempre no meu pensamento, naquela parte de mim que ficou vazia depois de não te ter. O que me leva de novo ao meu dilema; contigo, sinto-me completa. Basta-me a tua companhia, e eu nem me lembro do vazio, da parte de mim que morreu - ela está lá outra vez. É por isto que não consigo afastar-te(me) de vez. Eu preciso de ti. Eu preciso indiscutivel e irrevogavelmente de ti. E ninguém percebe. Continuam a esperar que eu te tire da minha vida, que me decida a cortar-te de vez. Eles não sabem que só tu me conheces, que só tu me compreendes, que quando choro nos teus ombros o conforto que sinto é total. Não sabem das gargalhadas cúmplices, dos momentos que só algo como o que tivemos permite que eles ainda se proporcionem, da confiança que só alguém como tu, o meu melhor amigo, pode merecer. Não sabem como é ter-te tido, e agora não te ter, só porque não quero, só porque me resolvi a ser feliz e a não me acomodar. A questão é que eu preciso de ti por perto, preciso da tua voz alegre, do teu rosto de Primavera, da maneira como tudo é tão fácil contigo, como podemos ficar em silêncio uma viagem inteira e é como se conversássemos o tempo todo. Eu até posso não me envolver de outras formas contigo, isso eu sei que consigo e que pode não voltar a acontecer. Mas eu preciso de ti por perto. E sinto que, por causa disso, eu nunca vou deixar de amar-te aquele bocadinho. Agora diz-me, como é que eu faço? Para te esquecer de vez, para seguir em frente a sério, para estar menos vazia, quando te tenho tão perto, quando não consigo de modo nenhum ter forças para não te ter aqui? É que eu não consigo sequer começar a imaginar um Mundo em que tu não existas, não consigo sequer conceber a minha vida sem ti nela. E não consigo, de todo, continuar a amar-te assim. Como é que eu faço, dizes-me?

terça-feira, 22 de junho de 2010

Valha-me isto, ao menos isto.

De vez em quando, conheço pessoas que restauram um pouco da minha fé na humanidade. Há alguns anos atrás, tive a honra de conhecer a D. Isabel, presidente da Associação Portuguesa dos Direitos dos Animais. Uma senhora amorosa e vegetariana há mais de 20 anos. Lembro-me da admiração que senti na altura, e de pensar se algum dia conseguiria ser assim, estar tanto tempo sem comer animais, só pelo amor que sinto por eles. Era meio vegetariana há uns meses. Hoje tenho a certeza que sim, que há-de chegar o dia em que também vou dizer que não como animais há mais de 20 anos. Há menos tempo, o ano passado, conheci o Sr. Joaquim. Um senhor com 90 anos que aparenta ter 70 e que costumava ser caçador. Hoje, raramente come carne, porque gosta muito dos bichos e tem pena deles. Tem uma cadela, um cão e um gato que trata como se fossem gente. Há pouco tempo, tive o prazer de conhecer a D. Rosa. Uma senhora perto dos seus 60 anos, muito querida. A D. Rosa que, como eu, não gosta de matar os bichos (aranhas, lagartixas e etc. incluídos) porque, diz ela, "O Mundo é um sítio tão grande, há espaço para vivermos aqui todos...". A D. Rosa, que não cozinha caracóis porque jura que consegue ouvi-los a guinchar dentro da panela, enquanto são cozidos vivos. A D. Rosa, que acha que os passarinhos bebés que caem dos ninhos morrem de desgosto, por estarem longe das mães. A D. Rosa, que, como eu, quando vê um caracol na estrada ou no meio do passeio, vai apanhá-lo e pô-lo nas ervinhas. Como também fazia a D. Lurdes, outra senhora que também conheci e que falava com os caracóis, ralhando-lhes coisas como "Não podes andar na estrada, não vês que depois ficas esmagado? Vá, vai lá para as ervinhas...".

Conclusão: eu vou ser completamente senil quando tiver os meus 70 anos. Mas também vou ser absolutamente feliz, porque se eu já penso assim e já apanho caracóis do chão nesta tenra idade, e parece que isto tem tendência para se agravar, nada poderá demover-me de agir de acordo com os meus ideais.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

E eu esqueço-te de vez... ou apenas outra vez.

Tu nunca imaginas o que me vai na alma. Tu achas que sim, mas nem fazes ideia. De como te amo ainda, de quanto te fujo, do quanto tenho de fugir-te. De quando os teus olhos encontram os meus e eles se desviam, cuidadosos, porque nunca se sabe o que pode acontecer se fixar os meus olhos nos teus tempo demais. Da última vez que fiz(emos) isso, apaixonei-me perdida e irremediavelmente por ti. Não, tu não fazes ideia. Das vezes em que me perco, noite adentro, a fitar o tecto do meu quarto onde só te vejo a ti, a cantarolar para afastar a única coisa que realmente ouço - a tua voz, os teus sussurros, as palavras que já atiraste certeiras no meio do meu coração e que o desfizeram um bocadinho de cada vez. Não fazes ideia, mas eu vou ficando louca, cada vez mais louca, à medida que constato que não consigo viver contigo, mas que também não sei como viver sem ti. A questão é que as vozes na minha cabeça te gritam o tempo todo. Que fiques, que vás, que voltes, que não deixes nunca de me deixar sentir-te. Que vás ser feliz para longe, que não me largues a mão. Que outro alguém te faça feliz, que ninguém te seja como eu. Que me deixes em paz, que nunca me esqueças de vez. Esquece-me outra vez, apenas outra vez. De vez é muito tempo, para sempre é uma eternidade dolorosa. Para sempre éramos nós, e vê o que nos aconteceu... Maldito sejas tu e os teus olhos que caçaram os meus. Tu esqueces-me mais um pouco, esqueces-me um pouco de cada vez. E eu esqueço-te de vez... ou apenas outra vez.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Nós podíamos ter sido tanto...

Às vezes, ainda me pergunto se as nossas diferenças não seriam ultrapassáveis. Se, com o devido esforço e dedicação, não conseguiríamos chegar onde sempre quisemos. Eu costumava ter a certeza que não mas, com o passar do tempo e com o não passar da saudade, já só acho mesmo que não. De vez em quando, fazes qualquer coisa simples que me faz querer atirar os meus braços em volta do teu pescoço e ficar ali, com a boca contra a tua pele quente, assim, quieta, como antes. Mas, depois, há uma qualquer lembrança que me assalta, como esta. Já não estávamos juntos há algum tempo. Andávamos numa loja a ver qualquer coisa que agora não interessa para o caso. A certa altura, uma menina com cerca de dois ou três anos, que só vi pelo canto do olho, caiu do triciclo abaixo. Pareceu-me uma queda valente, mas ela nem chorou. Sobressaltado, estremeceste com a queda dela e ficaste a olhá-la por dois segundos, a hesitar. Como ninguém foi lá nesse espaço de tempo, murmuraste qualquer coisa que exprimiu a tua incapacidade de ficar só a olhar e correste até ela, com a preocupação estampada no rosto sério e visivelmente transtornado, levantaste a menina e o triciclo e entregaste-a aos pais. Nesse momento, eu pensei qualquer coisa como "Será possível não te amar...?". Ser atencioso sempre fez parte de ti. E este tipo de recordação faz-me achar que nós realmente não pertencemos um ao outro. Tu sempre tiveste um jeito nato para crianças, birras incluídas, enquanto eu não tenho pinga de instinto maternal e nem tenho intenções de ter filhos. Por outro lado, eu gostava de adoptar uma criança, e tu recusas-te a criar um filho que não seja teu. É... acho mesmo que há diferenças inultrapassáveis, quando se planeia uma vida a dois. Tenho pena, sabes? Nós podíamos ter sido tanto...

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Relações sérias vs. amizades coloridas

Muito se tem falado de relações sérias vs. amizades coloridas. Há quem seja alérgico a umas e quem critique arduamente as outras. Bom, eu vejo vantagens em ambas. Nas relações sérias há o amor. Que nos tira os pés do chão, nos deixa o estômago cheio de borboletas, nos faz querer correr pela rua a gritar que o amor nos corre nas veias e tem o nome daquela pessoa. Há o conforto, a segurança, o sabermos que temos alguém com quem podemos sempre contar. A companhia para uma série de coisas, desde as idas ao cinema e das tardes enroscados no sofá a ver filmes, às férias paradisíacas e aos planos para um futuro a dois. Sentimos que pertencemos a alguém, que alguém nos pertence. Que temos sempre quem nos traga um copo de água quando temos sede mas, mais importante, que temos sempre quem nos peça um. Sabemo-nos importantes para alguém, ouvimos e dizemos "amo-te", trocamos juras de amor eterno e temos certezas inabaláveis acerca da eternidade daquele amor. Inevitavelmente (?), o sexo torna-se óptimo, porque a intimidade atinge um grau muito superior. Por outro lado, há os corações partidos, as dores de amor, as chatices, as discussões, as ceninhas de ciúmes, o estar preso a alguém que acaba por, regra geral, nos atar as mãos e nos impedir de fazermos algumas coisas que até gostávamos de fazer mas que pomos de lado por esse amor - estúpidos, estúpidos, estúpidos. As amizades coloridas podem juntar o melhor dos dois mundos. Temos a companhia para algumas coisas, temos o sexo que também pode chegar a óptimo, não temos as complicações (a não ser que alguém se apaixone mas... isso já é outra história), nem os ciúmes, nem as chatices, nem as obrigações. Pessoalmente, a mim não me apetece "ter de" enviar mensagens de bons dias e de boas noites, dizer o que estou a fazer se me perguntarem, não me apetece que me chamem princesa nem sequer amor, não me apetece a intimidade com alguém. Conhecer outra pessoa e tornarmo-nos íntimos dela dá trabalho. É um trabalho que pode dar frutos, é certo. Implica coragem para nos mostrarmos como somos e para aceitarmos o outro como ele é, implica devoção porque se um gajo muito giro se mete connosco não lhe damos trela, implica uma data de coisas que agora não me apetecem. Por isto tudo eu sou a favor de amizades coloridas, pelo menos para já. Pelo menos enquanto não me apetece ser namorada de ninguém. Enquanto não me apetece ser nada de ninguém. Eu sou minha. Se eu não for minha agora, quando é que o serei? Aos 40? Naaa. Eu sou minha, agora, e ponto final.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

But you own the place where all my thoughts go hiding...

Hoje, abro-te o meu coração. Em silêncio, para que não o ouças. Eu amei-te como se fosse para sempre. Amei-te como se fosse para sempre, e o "como se fosse" desapareceu. Perdoa-me a leveza da escrita, mas bem sabes que nunca fui capaz de pôr o que sentia por ti em palavras. Como se põe em palavras, em algo tão efémero como palavras, um amor eterno? Um amor daqueles que se nos cravou no coração e que nunca se apaga? Não se põe, é simples. Mesmo hoje, já tão longe dos teus braços, eu não consigo pôr-te - pôr-nos - em palavras, não consigo deixar-nos bem explicados em texto algum. Mas o amor não se explica, é mesmo assim. Às vezes acho que podia entregar-me. Que podia parar de remar contra a maré que me puxa constantemente de volta para ti, e entregar-me. É tentadora, a ideia de voltar a estar no conforto dos teus braços, apertados à minha volta como se um escudo do resto do Mundo se tratassem. Mas depois penso que isso seria desistir cedo demais. Eu ainda quero fazer tanto. Mesmo que considere a possibilidade de um dia voltarmos a ser nós (alguma vez deixámos de ser nós?), eu ainda tenho muito por fazer, e não estou disposta a abdicar disso já. E eu sei que posso perder-te, e eu sei que posso ter de viver o resto da minha vida com isso. Mas eu não acho que a felicidade esteja dependente de uma só pessoa. E recuso-me a acreditar que não haja alguém mais parecido comigo, alguém que me complete como tu um dia fizeste. Alguém que partilhe os meus ideais ou que, pelo menos, os respeite o suficiente. O pior? Acho que começo a deixar de ter forças para te fugir. Para te dizer que não, quando o meu coração meio partido me (te) grita que sim. Que sente a tua falta e que tu o embalavas como ninguém. Mas ainda não me sinto preparada para baixar os braços, para dizer "rendo-me, sou tua outra vez". Continuo a estar meio oca, a ter aquele cantinho do coração/da alma por ocupar, mas esse vai ser sempre teu. Por isso, por tudo isto, perdoa-me se um dia destes eu voltar a chamar-te amor. É o meu coração a falar mais alto do que a minha voz, a falar-te em nome da saudade, a querer ser embalado por ti. Perdoa-me se eu te chamar amor... será só por uma noite.