Hoje escrevo para ti. Para ti que, mesmo depois de todos estes anos, ainda me falas ao coração. Tenho uma série de confissões a fazer-te e, muito provavelmente, nunca tas farei. Não te esqueci... Essa é a primeira. Vivo perfeitamente sem ti, não te queria junto de mim, penso muito pouco em nós. Mas acho que um cantinho do meu coração vai amar-te sempre. Acho que um pedacinho muito pequeno de mim ainda te ama, e acho que isso não vai mudar. É o suficiente para guardar um carinho enorme por ti e para conseguir sorrir quando me lembro de nós. Não consigo imaginar a minha vida sem ti, talvez por esse mesmo motivo. Essa é a segunda confissão... É tão importante para mim ter-te por perto, falar contigo ao telefone, ver-te, ouvir-te, rirmos juntos. Não sei se fazes ideia disso, embora já to tenha tentado dizer. Mas ter-te por perto e poder chamar-te amigo é essencial ao meu bem-estar. Outra confissão? Fiquei mesmo feliz por teres uma namorada nova. Mas não sei quando (ou se) vou conseguir ver-te com ela sem ficar um bocadinho incomodada. E duvido que algum dia vá ser amiga dela. E gostava que ela se sentisse um bocadinho ameaçada por mim... que tivesse um bocadinho de ciúmes... porque isso significaria que ela sabe que eu fui importante para ti. O amor faz-nos ser tão ridículos... Queres outra confissão? Comparo toda a gente contigo e ninguém é como tu. E acho que nunca sentirei por ninguém aquilo que senti por ti. Outra? Às vezes ainda penso que, no final, vamos ficar juntos. Não tinha piada? Termos os dois tentado seguir em frente e, depois de várias tentativas falhadas, percebermos que nada nem ninguém é igual a nós e que só seríamos verdadeiramente felizes um com o outro. Eu não estou à espera disso, mas às vezes ocorre-me que podia acontecer. Confesso também que ainda hoje não sei como, nem quando, nem porquê, deixaste de me fazer feliz... Foste tudo, durante tanto tempo, que ainda não percebo como deixaste de o ser. Mais uma confissão? Eu não te conto o que tenho feito nos últimos meses porque acho que, se tu soubesses, já não gostavas de mim... e a ideia de tu não me quereres por perto é insuportável. Prefiro mentir-te... e ter-te comigo.
E depois... houve aquela tarde. Aquela, que nós não contámos a ninguém. Foi tão estranho, por não ser estranho de todo... parecia que não tinha passado um dia, quando na realidade fazia precisamente 6 meses desde a última vez que eu sentira os teus lábios. E eu juro que pensava que tu não sabias, tinha a certeza de que tu não te lembravas, de que não contavas os meses, como eu... Percebi que tinhas sentido a minha falta, no final, enquanto passavas a mão pelas minhas costas, para cima e para baixo, como se tentasses decorar um pedaço da minha pele, para quando as saudades voltassem. Outra confissão? A última... Eu não te respondi, mas é claro que também tive saudades, parvinho.

